JORNAL FOLHA DE SP - 24/08/2003

 

JANIO DE FREITAS - A TRANQUILA JUSTIÇA

 

Justo e feliz é o país cujo presidente pode dizer: "Olha só a fisionomia de seu presidente. Você acha que eu estou preocupado? Estou tranquilo".

Pode-se mesmo acreditar que Luiz Inácio Lula da Silva esteja tranquilo, como sugerem suas aparições e agora atesta a frase colhida pelos jornalistas Tereza Cruvinel e Merval Pereira, do "Globo", na entrevista coletiva presidencial. É pelo menos duvidoso, porém, que sua feliz tranquilidade reflita o país ou sobre ele se reflita.

A felicidade presidencial não precisa de explicação. E o que deveria ser sua contrapartida ou sua razão de ser, mas não é isso nem aquilo, pode ser apreendido, de tão óbvio, por umas poucas frases, sintéticas já por si. Tendo a Folha o privilégio de ser considerada, no governo, muito rigorosa com os atos e figuras governamentais, voltemos ao "Globo", e só com uns poucos exemplos do que nele merece as suas letras mais gigantescas:

"Renda do trabalhador despenca 16,4% no país" e, no subtítulo, "Foi a maior queda, na comparação com o ano anterior, já apurada pelo IBGE. Taxa de desemprego fica em 12,8%", em 21/8/03 (renda do trabalhador, não custa lembrar, é como os economistas e o engodo tecnocrático que invadiu as redações chamam o que, em linguagem decente, é salário -que não é renda).
"Ajuste deixa o social mais pobre", e no subtítulo, "Governo usou R$ 26,5 bilhões da Seguridade Social para garantir superávit primário", em 17/8 (isso mesmo, as verbas dos serviços sociais serviram para o governo apresentar, em suas contas, o saldo tão louvado pela mídia, grande empresariado e economistas como um êxito da política econômica).

"Juros comem quase 10% do PIB", e, no subtítulo, "Encargos da dívida, de R$ 142 bi, dariam para cobrir 17 vezes a verba para o social", em 18/8.

Mas os presidentes só olham para onde querem e, sobretudo, gostam muito de imaginar coisas. Se as ilusões fossem para uso próprio, vá lá. São lançadas, no entanto, ao consumo do desprevenido. É o caso, por exemplo, da "garantia" que Luiz Inácio Lula da Silva vê ou imagina, se é que vê mesmo ou imagina mesmo, na sua "reforma" da Previdência. Assim, em uma das tantas vezes da mesma afirmação: "Ela faz justiça [ela é a "reforma" da Previdência, sim senhor]. Primeiro porque o objetivo é garantir que daqui a 20, 30 anos as pessoas tenham o direito de receber sua aposentadoria".
Fez bem o presidente em ficar no "primeiro porque", sem se aventurar a outro. O que disse não é verdade. A "reforma" que o governo faz nada garante em relação a pagamento de aposentados, que continuará dependendo da arrecadação governamental para cobertura do déficit entre as contribuições recolhidas e o pagamento das aposentadorias. Pelo mesmo desvio, a "reforma" nada garante quanto ao "direito" dos servidores e aposentados. Basta que o mesmo governo Lula ou algum outra resolva cortar mais um pedaço de direitos e use, para fazê-lo, os mesmos métodos de hoje -a troca de votos por cargos no governo e a substituição, nas comissões, de dezenas de deputados por outros da turma dos paus-mandados.

Direitos, a rigor, são o que menos a "reforma" respeita. Fazer as contas do que será retirado aos aposentados, com o desconto de 11% sobre o que passar de R$ 1.440 nas aposentadorias, é ser lançado no espanto. Quem receber o novo teto de R$ 17 mil, caso dos ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, ao final do ano terá perdido R$ 22.250. O que vem a ser a perda de um mês inteiro de provento e mais 10 dias de outro mês.

Do mesmo modo, todo aposentado que receber qualquer importância acima de R$ 1.440, digamos R$ 2.000, ao final de cada ano terá recebido menos um mês inteiro e um terço do que esteja acima dos R$ 1.440. Para muitos, isso equivalerá à perda do 13º e de mais um pedaço de outro mês.
Os pensionistas não são atingidos por perdas imensas, em relação a eles o governo esmerou: usou também, para a grande maioria, de perversidade explícita. Retira-lhes 30% dos proventos. E o que vem a ser isso? Em 13 pagamentos do ano, vem a ser a retirada de quatro meses de pagamento da pensão. Penso nos velhinhos e velhinhas que recebem insignificâncias, gastam o que não podem com remédios que aqui são os mais caros do mundo, e vão ter cortado um terço de sua pensão.
De volta à frase citada de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a sua "reforma" previdenciária: "Ela faz justiça".

 

23/08 - GOVERNO FAZ CONCESSÃO E INSS ENCERRA GREVE

 

Servidores terão abono e não sofrerão desconto no salário se voltarem ao trabalho em cinco dias - IURI DANTAS - LUCIANA CONSTANTINO - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


 Após o governo adotar duas medidas para esvaziar a greve dos servidores públicos, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, anunciou ontem à noite o fim da paralisação dos funcionários do INSS. Com isso, o trabalho das agências do Instituto Nacional do Seguro Social deve voltar ao normal entre segunda e terça-feira.

Anteontem, o governo autorizou o Ministério da Previdência a conceder aumento para funcionários do instituto e ontem baixou um decreto determinando que não serão descontados os dias parados de quem voltar ao trabalho em cinco dias. A paralisação começou no dia 8 de julho.
Após acordo de última hora para a concessão de benefício aos servidores do INSS, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), tradicional braço sindical do PT, encerrou a greve de cerca de 80 mil servidores do instituto. Eles protestavam contra a reforma da Previdência e pela incorporação de um plano de cargos e salários, na forma de abono de 47,11%.

"Não é uma concessão aleatória de reajuste salarial. A maior demonstração de que não é reajuste aleatório, linear e politicamente definido é que atinge somente os que não recebem a verba [abono], que são a maioria, mas há 20 mil pessoas que não terão mudança", disse o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, na entrevista em que anunciou o fim da greve.
Para o ministro, o acordo não deve provocar reivindicações de outras categorias por aumento.
"Apenas trabalhamos com a perspectiva de cuidar daquilo que outros governos não cuidaram. É uma questão que se arrasta por 15 anos", afirmou Berzoini.

Com a decisão, a CUT consegue, ao mesmo tempo, acenar ao governo com uma boa notícia e provocar um racha no movimento grevista. A paralisação é comandada pela Cnesf (Coordenação Nacional de Entidades de Servidores Federais), composta por 11 entidades, sendo nove delas filiadas à CUT. A CNTSS (Confederação Nacional de Trabalhadores em Seguridade Social), filiada à CUT, comandou a negociação com Berzoini.

"Depois da aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno, não há razão para continuarmos em greve", disse Denise Mota Dau, presidente da CNTSS e quarta-secretária da CUT.
Ficou acertado que o pagamento do plano de cargos e salários, de 47,11%, será feito em quatro parcelas de 10,13%.

A primeira parcela será paga em dezembro deste ano, como queriam os grevistas, em vez de janeiro de 2004, como o governo havia sugerido. As próximas parcelas serão pagas em setembro de 2004 e maio e dezembro de 2005.

Com o acordo, não haverá desconto dos salários e os funcionários retornam ao trabalho na segunda-feira, ampliando o horário de atendimento para recuperar o atraso provocado pela greve.

DECRETO PRESIDENCIAL - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu aos servidores em greve um prazo de cinco dias para voltarem ao trabalho. A tolerância está prevista no decreto nº 4.816 publicado no "Diário Oficial" da União. Os funcionários que interromperem a paralisação nesse prazo não terão desconto no salário dos dias parados.

 

SUPERIOR TRIBUNAL JUSTIÇA - 22/8/2003

 

PARA NILSON NAVES A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NÃO ESTÁ COMPLETA

 

Salvador (BA) - Duas questões ainda intrigam o ministro Nilson Naves, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em relação à Reforma da Previdência. Na sua opinião, a constituição do fundo de pensão e as regras de transição para quem tem direito à aposentadoria devem ser analisadas mais profundamente.

Para o ministro, algumas mudanças devem acontecer no Senado para que a Reforma atenda de forma satisfatória magistrados e servidores públicos. "As regras ainda não estão claras, e, dessa forma, tanto a magistratura quanto os servidores têm muito a perder", disse ele à imprensa, na ocasião de abertura da 61º Encontro de Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil, em Salvador (BA).

Em relação aos fundos de pensão, o ministro é a favor de um modelo que estabeleça tanto a contribuição quanto o benefício. "Não faz sentido se aposentar sem saber quanto se vai receber", assinalou Naves em tom de crítica ao modelo definido pela Câmara.

A regra de transição, de acordo com o ministro, também precisa estar melhor definida. "Ainda está muito confusa", disse ele, que divide opinião com diversos membros da magistratura. Ele disse que vai se esforçar para que mudanças sejam feitas no Senado. - Catarina França

JORNAL VALOR ECONÔMICO  - 25/08/2003

 

REFORMA DEVE SER CONCLUÍDA AMANHÃ

 

Conforme acordo com a oposição, será mantido o texto aprovado em 1.º turno na Câmara

CIDA FONTES e MARIANGELA GALLUCCI

 

BRASÍLIA - O governo espera concluir amanhã à noite a votação da reforma da Previdência na Câmara. Conforme acordo feito entre os partidos aliados e de oposição, será mantido o texto aprovado no primeiro turno, que ainda esta semana será enviado ao Senado. O líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), confirmou ontem que seu partido mantém o compromisso de não apresentar destaques na votação de amanhã, mas que poderá votar favoravelmente à proposta de garantir aos funcionários do Executivo e do Legislativo estaduais o mesmo salário que será pago aos desembargadores dos tribunais de Justiça, se apresentada pelo PDT.

"O PFL tem o compromisso de não apresentar destaques, mas se o PDT apresentar não temos compromisso de não votar. O PDT é da base aliada e tem até ministro no governo do PT", disse Aleluia, ao se referir ao ministro das Comunicações, Miro Teixeira.

Troca - Tanto o PSDB quanto o PFL, os dois partidos da oposição que garantiram a vitória do governo na votação do primeiro turno da reforma da Previdência, não pretendem criar problemas agora em troca das negociações em torno da reforma tributária. "Vamos honrar o acordo feito. Mas compete ao governo pôr maioria em plenário para concluirmos a reforma da Previdência", ressaltou Aleluia.

Assim que chegar ao Senado, a reforma previdenciária voltará a ser alvo de lobby por parte dos juízes. Dirigentes de entidades representativas de magistrados já estão traçando as estratégias para a batalha no Senado. É bem provável que insistam na necessidade de garantir aos futuros juízes os direitos à integralidade da aposentadoria e à paridade de reajustes entre ativos e inativos.

No entanto, o chefe do Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, ficou satisfeito com a saída aprovada na Câmara, por meio da qual será criado um fundo de previdência para complementar as aposentadorias.

Na Câmara, Corrêa conseguiu convencer os deputados e o governo a manterem a integralidade e a paridade para os atuais servidores e a fixarem o salário dos desembargadores estaduais em 90,25% do que é pago a um ministro do STF.

Quando a reforma da Previdência for discutida no Senado, o presidente do Supremo deverá lutar apenas para que seja prevista na emenda constitucional a criação de um fundo para complementar as aposentadorias dos integrantes do Poder Judiciário. Mais flexível do que dirigentes de entidades de juízes, Corrêa aceita que o fundo seja por contribuição definida, como foi aprovado na Câmara. Representantes da categoria querem que a modalidade seja por benefício definido.

 

INSS EM SÃO PAULO ADIA FIM DA GREVE

 

Representante de servidores alega que não houve tempo hábil para aprovar acordo

Os postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Estado de São Paulo devem voltar a funcionar somente na quinta-feira, apesar da determinação do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, de que eles reabrissem suas portas até amanhã. Quem precisar dos serviços da Previdência vai ter de esperar porque a paralisação dos servidores paulistas ainda não foi suspensa. Segundo o representante de comando greve no Estado, Ezequiel Barbosa, na sexta-feira não houve tempo hábil para aprovar o acordo assinado entre o governo federal e os funcionários da Previdência, em assembléia estadual. "A tendência é aceitarmos o acordo e voltarmos ao trabalho até quinta-feira", explicou.

Cerca de 75% dos 6 mil funcionários do INSS do Estado estão em greve.

Hoje, os servidores do INSS fazem uma assembléia na capital para decidir sobre a volta ao trabalho. De acordo com Barbosa, é preciso esperar 24 horas para que os servidores se "recadastrem" no sistema de informática da Previdência.

Além do acordo que prevê um aumento salarial de 47,11% para a categoria, o governo se comprometeu a remeter ao Congresso até 30 de setembro um projeto de lei reestruturando a carreira e dando aos 56 mil servidores o reajuste em quatro parcelas. A primeira parcela de 10,13%, será paga em dezembro. Até dezembro de 2005, o reajuste terá produzido um acréscimo de cerca de 10% na folha de pagamentos do INSS, que é de cerca de R$ 3,6 bilhões anuais.

 

 

JORNAL DO BRASIL - 25/08/2003

 

O ÚLTIMO DESAFIO

 

BRASÍLIA - Às vésperas da conclusão da reforma da Previdência na Câmara, um novo desafio se coloca para os operadores políticos do Palácio do Planalto: evitar que insatisfações entre os aliados resultem em modificações no texto que os deputados devem ratificar nesta quarta-feira, em segundo turno. Oposição ao Planalto, PFL e PSDB se reúnem amanhã para discutir alterações na emenda. Incomodado com o governo, o PMDB promete engrossar a lista de destaques e emendas.

- A reforma deve trazer mudanças imediatas para uma massa de 30 milhões de miseráveis excluídos da aposentadoria, que não têm perspectivas - diz o senador Pedro Simon (PMDB-RS), defensor da revisão de alguns aspectos da reforma aprovada pela Câmara.

Simon renega o discurso conciliador do presidente do Senado, José Sarney (AP), que chegou a prometer ao governo a aprovação rápida e sem modificações, na Casa, da reforma da Previdência. Para o senador gaúcho, o compromisso de Sarney deve gerar um movimento de rebeldia no Senado, cujos parlamentares pretendem exercer o direito discutir o que é bom para a população.

Um dos pontos que o PMDB gostaria de rever é a cobrança dos inativos. Simon defende a adoção de um sistema de cobrança gradual, guiada por faixa salarial e com período de transição para a cobrança. O senador acha que a reforma pode também incluir uma fórmula de atender à população economicamente ativa sem carteira assinada.

PSDB e PFL também se movimentam esta semana para costurar uma posição. Grande parte dos pefelistas quer alteração na cobrança de inativos, qualificada por Jorge Bornhausen, presidente nacional do partido, como direito adquirido dos servidores. Para o senador, o Judiciário deverá voltar a se manifestar contra a cobrança.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) diz que na reunião de amanhã a bancada vai discutir os pontos polêmicos. Segundo Virgílio, não há questão fechada no partido sobre alguns temas, entre eles o da contribuição de inativos

 

CONSULTOR JURÍDICO -  22/8/2003

 

REAÇÕES INCESSANTES - "PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NÃO É MOEDA ELEITORAL."

 

Por ser um assunto tão caro aos advogados, a previdência complementar não pode ser tratada como moeda eleitoral. A afirmação é do presidente da Comissão de Estudo da Previdência Complementar do Advogado, do Conselho Federal da OAB, Jefferson Luis Kravchychyn.

 

Ele divulgou nota, nesta sexta-feira (22/8), para responder às declarações do presidente da OAB-SP, Carlos Miguel Aidar, de que a Seccional não vai atender à recomendação do Conselho Federal para pisar no freio quanto a seus planos de implantar, em setembro, o plano de previdência complementar para os advogados paulistas.

Segundo Kravchychyn, as Seccionais devem esperar a conclusão dos estudos do Conselho para se beneficiar do sistema de Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC) que, tendo a OAB como instituidora, "tornará o sistema muito mais acessível e barato aos advogados, pois todos os rendimentos recebidos reverterão somente aos associados, sem divisão dos mesmos com uma entidade financeira ou banco".

Aidar foi rápido no gatilho e menos de uma hora depois de a nota do Conselho ter sido publicada, divulgou sua versão dos fatos. Ele lamentou a recomendação do Conselho e enumerou vantagens do plano paulista para o fundo de aposentadoria.

O presidente da Seccional renovou a provocação a Rubens Approbato Machado, presidente do CF, de que São Paulo pode ceder "sua experiência e capacidade gerencial" para "disponibilizar mais rapidamente o plano para todos os advogados brasileiros, independente da surda política eleitoral que o presidente do Conselho Federal vem emprestando a este tema".

 

Leia a nota de Kravchychyn:

 

A Comissão de Estudo da Previdência Complementar do Advogado vem a público esclarecer que a recomendação dirigida às Seccionais de todo o País, no sentido de aguardarem o modelo de Plano de Previdência Complementar que está sendo elaborado em conformidade com a legislação complementar nºs 108 e 109/2002, foi exaustivamente discutida no plenário do Conselho Federal da OAB na reunião do dia 19 passado e aprovada, por unanimidade, pelos conselheiros federais — dentre os quais os representantes de São Paulo. Como Presidente Nacional da entidade, Rubens Approbato Machado limitou-se a encaminhar as discussões, não interferindo no entendimento do Conselho a respeito da matéria.

A Comissão de Estudo da Previdência Complementar do Advogado foi instituída em 26 de junho de 2001 para atender uma antiga reivindicação da classe de propiciar ao advogado uma aposentadoria condigna. Integram a Comissão os advogados Jefferson Luis Kravchychyn, Conselheiro Federal por Santa Catarina (presidente), Djair de Sousa Farias, de Pernambuco; Paulo Henrique Pastori, de São Paulo; e como membros consultores estão Octávio Augusto Pereira de Queiroz Filho, de São Paulo; e Tulnê Sebastião Velho Vieira, de Santa Catarina.

A recomendação, aprovada pela unanimidade dos Conselheiros Federais, objetiva, tão-somente, evitar problemas futuros com a Secretaria de Previdência Complementar, do Ministério da Previdência, que poderá não validar os sistemas oferecidos em muitos Estados. O novo modelo de Previdência Complementar dos advogados em estudo prevê um sistema multinstitucional com contribuições definidas e administração própria, porém sob a coordenação direta do Conselho e fiscalização do Ministério da Previdência, por meio da Secretaria de Previdência Complementar.

Ressalte-se que o sistema de Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC), tendo a OAB como instituidora, tornará o sistema muito mais acessível e barato aos advogados, pois todos os rendimentos recebidos reverterão somente aos associados, sem divisão dos mesmos com uma entidade financeira ou banco.

Por ser um assunto tão caro à classe e envolver recursos com vistas ao bem-estar e a uma aposentadoria digna de seus associados, a Previdência Complementar do Advogado precisa ser tratada com seriedade, e não transformada em moeda eleitoral.

 

Brasília, 22 de agosto de 2003

Jefferson Luis Kravchychyn - Comissão de Estudo da Previdência Complementar do Advogado  - do Conselho Federal da OAB

 

Leia a resposta de Aidar:

 

Nota oficial

 

Tendo em vista a manifestação da Comissão de Estudo da Previdência Complementar do Advogado do Conselho Federal da OAB, nesta data, volto a público para lamentar a posição de crítica ao trabalho de São Paulo, voltado a concretizar a Previdência Complementar para a Advocacia Paulista, em parceria com uma instituição séria, o Banco do Brasil, com reconhecida experiência previdenciária.

O sistema de Previdência Complementar que será implantado em São Paulo foi debatido ao longo dos últimos cinco anos por uma Comissão Especial e enquadra-se dentro da legislação vigente. Optou-se pelo sistema fechado pelas vantagens que oferece: custo baixo, maior transparência na gestão, saldo mais alto ao fim do período de contribuição e critérios mais favoráveis na concessão do benefício aos participantes.

O voto favorável de São Paulo na Comissão de Estudo da Previdência do Conselho Federal para aguardar a conclusão dos estudos de previdência complementar teve, tão somente, o sentido de encontrar uma solução para os sistemas implantados em algumas Seccionais, fora dos parâmetros legais, o que não é o caso da proposta paulista.

Ciente e consciente de que São Paulo pode emprestar ao Conselho Federal sua experiência e capacidade gerencial, renovo àquela entidade a disposição de colaborar para, partindo-se do modelo da OAB PREVIDÊNCIA SP, disponibilizar mais rapidamente o plano para todos os advogados brasileiros, independente da surda política eleitoral que o presidente do Conselho Federal vem emprestando a este tema, de tão alta relevância para a Advocacia nacional. - São Paulo, 22 de agosto de 2003 - Carlos Miguel Aidar - Presidente da OAB SP

 

JORNAL BRAZILIENSE - 24/082003

 

REFORMAS - MEXIDA NO SENADO

 

Governistas terão de suar a camisa para evitar mudanças na proposta que altera a Previdência. Muitos senadores querem regras de transição mais claras para os servidores que estão perto da aposentadoria - Thiago Vitale Jayme e Fernanda Nardelli - Da equipe do Correio

 

 

 

A declaração do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de que os senadores não alterariam a reforma da Previdência mexeu com os brios dos parlamentares. A grande maioria dos senadores, ouvidos pelo Correio durante a semana passada, quer discutir e propôr mudanças ao texto, que deve chegar à Casa na próxima semana. ‘‘Se o Senado não puder modificar nada na proposta e apenas servir como homologador dela, eu vou apresentar um projeto para acabar com o Senado. Ele ficará sem utilidade’’, afirmou o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Só um trabalho muito árduo dos líderes partidários conseguirá fazer com que os senadores se calem diante das alterações que pretendem realizar.

Os pontos que mais preocupam os senadores são o subteto dos estados e regras mais claras de transição. Dos 67 senadores entrevistados, 35 querem melhores alternativas para os servidores que estão perto de se aposentar. Há senadores em todos os partidos dispostos a alterar este artigo. No caso do subteto estadual, a maior parte dos senadores concorda com as reivindicações dos servidores do Executivo — que querem um limite salarial único, equivalente ao que, de acordo com a reforma, só vale para o Judiciário: 90,25% dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A reportagem do Correio procurou os senadores entre terça e sexta-feira da semana passada. Quatorze senadores estavam viajando, de licença médica ou não responderam às ligações.

O trabalho dos deputados de mudar o artigo que trata da previdência complementar dos futuros servidores foi bem recebido pelos senadores, que não têm restrições aos fundos de pensão, desde que eles sejam públicos. Alguns, como o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), preferiam um sistema misto, no qual o servidor teria a opção de escolher entre fundos públicos e privados. A emenda constitucional que o governo enviou para o Congresso não especificava a natureza dos fundos. Depois de analisada pelos parlamentares, a emenda ganhou nova redação. Os fundos têm de ser públicos e com a contribuição definida (o que faz com que o benefício seja calculado de acordo com as contribuições realizadas e sem uma definição de seu valor).

 O grande mérito da reforma, segundo os senadores, é a aplicação de tetos salariais. Com isso, a partir da data de promulgação da reforma, nenhum trabalhador poderá receber da União uma remuneração maior do que R$ 17 mil — que correspondem aos vencimentos dos ministros do STF. No caso dos estados e municípios, o limite é menor. ‘‘É importante o fato de podermos acabar com as aposentadorias exorbitantes. Seria bom também definir uma forma de fiscalizar a folha de pagamento para conferir se o teto está sendo respeitado’’, disse o senador Jefferson Peres (PDT-AM).

- Se o Senado não puder modificar nada e apenas servir como homologador, vou apresentar um projeto para acabar com o Senado  (Senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT)

 

CONFIRA COMO PENSAM OS SENADORES

 

Senador Contribuição de inativos Redução de pensões Um subteto para cada Poder Fundos de pensão Regras de transição

 

PT 

 

Aloizio Mercadante (PT-SP) Líder do governo quer aprovação - sem alterações

Ana Júlia Carepa (PT-PA) a favor a favor sem posição a favor quer alterações

Delcidio Amaral (PT-MS) a favor a favor quer alterações a favor

quer alterações

Eduardo Suplicy (PT-SP) a favor a favor a favor a favor a favor

Eurípedes Camargo (PT-DF) a favor a favor quer alterações

a favor a favor

Fátima Cleide (PT-RO) a favor a favor a favor a favor quer alterações

Flávio Arns (PT-PR) quer alterações quer alterações

quer alterações a favor quer alterações

Heloísa Helena (PT-AL) Apresentará várias emendas, mas não quis adiantá-las

Ideli Salvatti (PT-SC) a favor a favor a favor a favor a favor

Paulo Paim (PT-RS) quer alterações quer alterações quer alterações a favor quer alterações

Roberto Saturnino (PT-RJ) a favor a favor a favor a favor quer alterações

Serys Slhessarenko (PT-MT) quer alterações a favor quer alterações  a favor quer alterações

Tião Viana (PT-AC) Líder do PT, preferiu não opinar

 

PFL

 

Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) a favor a favor a favor quer alterações quer alterações

César Borges (PFL-BA) quer alterações a favor a favor quer alterações sem posição

Demóstenes Torres (PFL-GO) quer alterações quer alterações quer alterações a favor quer alterações

Edison Lobão (PFL-MA) Presidente da CCJ, preferiu não se pronunciar

Efraim Morais (PFL-PB) quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações

Heráclito Fortes (PFL-PI) quer alterações sem posição quer alterações sem posição quer alterações

Jonas Pinheiro (PFL-MT) quer alterações a favor a favor a favor

 

QUER ALTERAÇÕES

 

Jorge Bornhausen (PFL-SC) quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações

José Agripino (PFL-RN) quer alterações quer alterações a favor a favor quer alterações

José Jorge (PFL-PE) quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações sem posição

Paulo Octávio (PFL-DF) quer alterações quer alterações quer alterações a favor sem posição

Rodolpho Tourinho (PFL-BA) a favor a favor quer alterações a favor a favor

Romeu Tuma (PFL-SP) Prefere esperar a reforma chegar ao Senado

 

PMDB

 

Alberto Silva (PMDB-PI) Vai acompanhar o partido e só se pronunciará depois que a bancada se posicionar

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) quer alterações quer alterações quer alterações a favor quer alterações

Gerson Camata (PMDB-ES) Preferiu não opinar até a chegada do projeto ao Senado

Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) a favor a favor quer alterações a favor quer alterações

Hélio Costa (PMDB-MG) Vice-líder do governo, defende aprovação sem alteração

José Maranhão (PMDB-PB) quer alterações quer alterações a favor quer alterações quer alterações

José Sarney (PMDB-AP) Presidente do Senado, quer aprovação sem alteração

Juvêncio da Fonseca (PMDB-MS) quer alterações sem posição a favor a favor quer alterações

Maguito Vilela (PMDB-GO) quer alterações a favor quer alterações sem posição a favor

 

Mão Santa (PMDB-PI) quer alterações quer alterações quer alterações a favor quer alterações

Ney Suassuna (PMDB-PB) quer alterações a favor quer alterações a favor quer alterações

Papaléo Paes (PMDB-AP) quer alterações quer alterações a favor a favor quer alterações

Pedro Simon (PMDB-RS) Pretende realizar alterações, mas não especificou quais

Ramez Tebet (PMDB-MS) quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações

Renan Calheiros (PMDB-AL) Líder do PMDB, pretende ouvir a bancada para opinar

Romero Jucá (PMDB-RR) a favor a favor quer alterações quer alterações quer alterações

Sérgio Cabral (PMDB-RJ) quer alterações a favor a favor quer alterações quer alterações

Valdir Raupp (PMDB-RO) a favor a favor quer alterações a favor a favor

Valmir Amaral (PMDB-DF) Acompanhará a posição da bancada

 

PDT

 

Almeida Lima (PDT-SE) quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações

Augusto Botelho (PDT-RR) quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações quer alterações

Jefferson Péres (PDT-AM) quer alterações quer alterações quer alterações a favor quer alterações

Osmar Dias (PDT-PR) quer alterações a favor quer alterações a favor a favor

 

PSDB

 

Álvaro Dias (PSDB-PR) quer alterações quer alterações quer alterações a favor quer alterações

Antero Paes de Barros (PSDB-MT) Contra taxação de inativos e prefere esperar a reforma chegar ao Senado para se posicionar sobre os outros pontos

Arthur Virgílio (PSDB-AM) a favor a favor a favor a favor quer alterações

Eduardo Azeredo (PSDB-MG) a favor a favor a favor a favor a favor

Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO) a favor quer alterações quer alterações sem posição sem posição

Leonel Pavan (PSDB-GO) quer alterações sem posição a favor sem posição quer alterações

Lúcia Vânia (PSDB-GO) quer alterações a favor sem posição a favor quer alterações

Reginaldo Duarte (PSDB-CE) a favor a favor a favor a favor a favor

Sérgio Guerra (PSDB-PE) a favor a favor Vai conversar com a bancada para se posicionar a respeito dos demais pontos

Tasso Jereissati (PSDB-CE) a favor a favor a favor a favo quer alterações

 

PTB

 

Duciomar Costa (PTB-PA) quer alterações a favor quer alterações a favor a favor

Sérgio Zambiasi (PTB-RS) quer alterações a favor quer alterações a favor quer alterações

 

PSB

 

Geraldo Mesquita Júnior (PSB-AC) Irá se empenhar para fazer alterações mas não adiantou pontos que discorda

João Capiberibe (PSB-AP) a favor a favor sem posição a favor sem posição

 

PPS

 

João Batista Motta (PPS-ES) a favor a favor quer alterações a favor sem posição

Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE) a favor a favor a favor a favor a favor

 

PL

 

Marcelo Crivella (PL-RJ) quer alterações quer alterações a favor quer alterações quer alterações 

 

REFORMAS - SUPLICY QUER DEBATE ‘‘INTENSO’’ NA CASA

 

Até mesmo senadores da base aliada do governo pretendem alterar itens do texto aprovado na Câmara, como a taxação de inativos  - Marcos Fernandes 

 

- Suplicy: ‘‘Berzoini e todos os envolvidos na reforma serão ouvidos’’

  

Nenhum dos 67 senadores ouvidos pelo Correio aceita a intenção do governo de fazer com que o Senado não discuta alterações na proposta da reforma da Previdência. Apenas cinco senadores, além dos líderes do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP) e Hélio Costa (PMDB-MG) e do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), admitem aprovar o mesmo texto que chegará da Câmara dos Deputados. Mas até estes refutam a idéia de não permitir aos senadores discutirem a proposta. ‘‘Nós nos comprometemos a assegurar o debate intenso do projeto da reforma. As entidades, o ministro Berzoini e todos os demais envolvidos na reforma serão ouvidos’’, disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), um dos cinco que votarão a favor dos pontos perguntados pela reportagem.

Curiosamente, dois dos senadores que admitiram votar a reforma como ela vier da Câmara são da oposição tucana. Eduardo Azeredo (MG) e Reginaldo Duarte (CE) responderam positivamente aos cinco pontos da pesquisa. O caso do mineiro tem uma ajuda do estado. Azeredo é ligado ao governador Aécio Neves, também tucano e bastante próximo do presidente Lula. ‘‘Eu cheguei a adotar a taxação de inativos em Minas quando fui governador’’, disse o parlamentar. As senadoras Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE) e Ideli Salvati (PT-SC) completam a lista daqueles que devem aprovar a reforma como está.

Com relação à taxação de inativos, 16 dos 39 senadores da base ouvidos pelo Correio querem alterações. O índice de 41% é relativamente alto e dará trabalho aos líderes partidários. A maior dificuldade será convencer os peemedebistas: dos 19 que opinaram, nove são contra a taxação e cinco preferiram não opinar. Nem dentro do próprio PT há aprovação em todos os pontos. Na questão do subteto dos estados e das regras de transição para idade mínima de aposentadoria, os insatisfeitos formam a maioria. No subteto, seis senadores são contra e cinco a favor. Um se absteve e outro não tem posição firmada. Sobre as regras de transição, sete querem mudar o texto e cinco são favoráveis (entre eles Mercadante, que é líder do governo). Um preferiu não responder: o líder do partido no Senado, Tião Viana (PT-AC).

A maioria dos partidos ainda não se reuniu para decidir como votará. O líder tucano Arthur Virgílio (AM) avisou que os senadores da legenda estão liberados para votar como quiserem. Neste segunda-feira, o PFL fará encontro para tentar fechar questão sobre o a aprovação da reforma.(TVJ e FN)

 

TIRA-DÚVIDAS/ /PREVIDÊNCIA

 

1 - Sou integrante do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Gostaria de saber como ficará minha situação. E as polícias e corpos de bombeiros estaduais?

(Luísa Couto de Oliveira e Silva, 38 anos, Lago Norte)

  A proposta de reforma da Previdência, em discussão no Congresso Nacional, não trata do regime de previdência dos militares. No caso de Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, o texto da reforma prevê que as alterações nas regras de aposentadorias e pensões dessas carreiras sejam definidas posteriormente em lei estadual ou do Distrito Federal.

 

2 - Tenho 43 anos de idade, 25 anos de serviço público. Pelas regras atuais, eu me aposentaria daqui a cinco anos. Pelo novo projeto, quando vou me aposentar?

(Pedro Pereira, Guará)

  Pelas regras atuais, o senhor não poderia se aposentar daqui a cinco anos porque ainda não teria a idade mínima de

53 anos, exigida para a aposentadoria dos servidores homens. Pela reforma, o senhor poderá se aposentar quando completar 53 anos de idade mas, nesse caso, não terá direito ao benefício integral. O benefício será calculado pela média de suas contribuições e, para cada ano de antecipação em relação à idade de referência (de 60 anos, para homens), o valor do benefício terá redução de 5% para cada ano de antecipação, podendo chegar a 35% se o senhor antecipar os sete anos. Para ter direito ao benefício integral, a senhor deverá trabalhar até os 60 anos, ter no mínimo de 35 anos de contribuição, 20 anos de serviço público, 10 anos de carreira e no mínimo cinco anos no cargo.

 

3 - Minha mãe é pensionista da Polícia Civil do Distrito Federal. Meu pai morreu em serviço há quase dez anos e a pensão ultrapassa o teto de R$ 2.400. Gostaria de saber como ficará nossa situação após a reforma.

(André Ferreira, 22 anos, Setor Sudoeste)

  O único ponto que afetará os atuais pensionistas do serviço público, de acordo com o texto em tramitação no Congresso, é a contribuição de inativos. A cobrança será de 11% sobre a parcela que exceder o limite de isenção de R$ 1.200

para servidores dos estados e Distrito Federal, e de R$ 1.440,00 para servidores da União.

Aos domingos, o Correio, em parceria com o Ministério da Previdência, responde dúvidas dos leitores sobre a reforma previdenciária. Envie suas perguntas, com nome completo, idade e endereço, para o e-mail politica@correioweb.com.br

 

24/08 - SERVIÇO PÚBLICO - SERVIDORES COMBATEM PROPOSTA DE FONTELLES

 

Sindicato tenta manter a legislação que permitiu transferência dos celetistas para o regime jurídico único, ocorrida no governo Collor - Denise Rothenburg - Da equipe do Correio  - Kleber Lima

- Nascimento: ‘‘Neste governo, a infelicidade do servidor não tem fim’

 

Da Câmara para o Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de perder a batalha da reforma previdenciária no plenário da Câmara, os servidores voltam-se agora a tentar preservar as aposentadorias e pensões junto ao Supremo. E a ação dos sindicatos não se refere à reforma previdenciária. O objetivo agora é evitar que a ação direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo procurador-geral da República, Claudio Fontelles, ganhe corpo junto aos ministros da Suprema Corte. ‘‘E já chegamos em desvantagem. Neste governo, a infelicidade do servidor não tem fim’’, diz o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis), Ezequiel Nascimento.

A ação de Fontelles contesta a Lei 8.112, sancionada pelo presidente Fernando Collor de Mello, que permitiu migração de servidores celetistas para o regime jurídico único. Foi com base nessa lei, funcionários contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que deveriam se aposentar pelo regime do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), puderam se aposentar pelo regime jurídico único. Por isso, obtiveram o benefício integral. Fontelles considera a transferência dos celetistas não-concursados para o regime jurídico único inconstitucional.

O que Ezequiel chama de ‘‘desvantagem’’ são as ações semelhantes, julgadas no passado pelo Supremo. Os servidores estaduais da Assembléia Legislativa de Rondônia, por exemplo, tentaram mudar de regime mediante uma lei estadual aprovada em 1994, mas perderam o direito no STF, dentro da Adin 1201-01, analisada pelo ex-ministro Moreira Alves. ‘‘Todas as decisões que encontramos até agora são contra nós’’, comenta Ezequiel.

Desanimado com as possibilidades jurídicas de vencer no Supremo, Ezequiel recorre à prática executiva como principal argumento contra o pedido de Fontelles. ‘‘Vai ser um caos levar todos de volta ao regime do INSS. São 13 anos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Isso, sem contar que o rombo do INSS ficará inadministrável’’, afirma ele.

 

COMPLICAÇÃO PARA TODOS - Os dados do governo indicam que 560 mil servidores foram transferidos de celetistas para o regime jurídico único. Praticamente, 50% já estão aposentados. Se a ação de Claudio Fontelles prosperar no STF, o governo terá um trabalho enorme.

O primeiro passo será separar, entre os já aposentados, quem foi concursado e, portanto, era servidor com direito à aposentadoria integral, e aqueles que nunca prestaram concurso e apenas migraram de um sistema para o outro. O segundo passo é cortar parte das aposentadorias desses servidores que migraram. O mesmo procedimento vale para os pensionistas.

Depois de contabilizar quem está num regime e quem volta para o INSS, será a hora de pagar. No caso de quem prestou concurso, nada muda. Mas, quem apenas migrou, pode ter a aposentadoria cortada, mas, em compensação, terá 13 anos de FGTS.

 

23/08 - SERVIÇO PÚBLICO  - NOVA AMEAÇA AOS SERVIDORES

 

Cláudio Fonteles propõe ação contestando o regime jurídico único, implementado em 1990 e que garantiu a funcionários ligados ao INSS o direito à aposentadoria integral - Fernanda Nardelli e Thiago Vitale Jayme - Da equipe do Correio

 

``Na reforma, pelo menos, há o respeito ao direito adquirido dos que já se aposentaram. Com essa nova medida, haverá corte das aposentadorias´´  - Luiz Carlos Lucas, presidente da Andes

 

Depois de todos os conflitos por conta da reforma da Previdência, os servidores públicos terão mais um motivo para se preocupar. O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando o regime jurídico único, implementado em 1990. De acordo com a lei 8.112, sancionada pelo então presidente da República Fernando Collor de Mello, todos os servidores públicos que, na época, eram filiados ao INSS, migraram para o regime estatutário — que garantia a aposentadoria integral. A medida provocou um rombo na Previdência Social do Serviço Público, uma vez que cerca de 80% dos servidores da época (560 mil) adquiriram o direito ao benefício integral, sem ter contribuído o suficiente para isso. A análise de um ministro do Supremo, um ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados com atuação nos tribunais superiores entrevistados pelo Correio é a de que a mudança criará muita confusão e deverá deflagrar novos confrontos entre governo e servidores.

Na interpretação de Fonteles, o artigo da lei que trata do regime jurídico único é inconstitucional porque a própria Constituição exige a ‘‘aprovação prévia em concurso público’’ dos servidores. ‘‘Todos os servidores abarcados pelo dispositivo impugnado foram investidos em cargos públicos apenas pela publicação do Regime Jurídico dos Servidores Públicos, portanto sem a prévia aprovação em concurso’’, diz o procurador na ação ao Supremo.

Um dos problemas apontados pelos servidores é que uma boa parte dos funcionários que eram contratados pela CLT prestou concurso na época. ‘‘Não temos a segurança de que esses concursos serão validados’’, disse Luiz Carlos Lucas, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes).

Outro fator que preocupa o funcionalismo é a transição entre os dois regimes. Os servidores não sabem se vão receber o que contribuíram a mais para a Previdência enquanto participavam do regime do serviço público e nem se terão depositados os recursos do Fundo de Garantia que perderam quando se tornaram estatutários. É provável que os trabalhadores tenham de brigar por isso na Justiça. ‘‘Enquanto a decisão do governo é administrativa, e só precisa de uma caneta para assinar, no caso dos direitos dos servidores, a decisão é judicial, com a demora e a incerteza que isso pode acarretar’’, afirmou. Para Lucas, as conseqüências dessa ação são piores do que as provocadas pela reforma da Previdência. ‘‘Na reforma, pelo menos, há o respeito ao direito adquirido dos que já se aposentaram. Com essa nova medida, haverá corte das aposentadorias’’, disse. Se voltarem para a CLT, os servidores terão de se aposentar com o teto do INSS, que hoje é de R$ 1800 — com a reforma da Previdência, será R$ 2.400.

Na avaliação da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Previdência (Anfip), o governo federal também pode perder se o regime do funcionalismo mudar novamente. Segundo o presidente da entidade, Marcelo Oliveira, os impactos no Regime Geral de Previdência Social (INSS) serão grandes. Isso porque, de uma hora para outra, o INSS vai receber milhares de servidores que têm direito a uma aposentadoria — mesmo sem ter contribuído especificamente para o regime. ‘‘Esses servidores terão a garantia de algum benefício previdenciário porque fizeram a sua parte e sempre contribuíram’’, explicou Oliveira. O problema fiscal aumenta se o governo for obrigado a depositar os recursos do FGTS de cada servidor. Além disso, o presidente da Anfip se preocupa com a insegurança jurídica. ‘‘Infelizmente, notamos que não existem regras confiáveis para nenhum cidadão’’, lamentou.

 

Juristas - A Adin chegou ao STF no último dia 15 e está sendo analisada pelo ministro Cezar Peluzo. O ministro vai pedir informações sobre o caso à Presidência da República e ao Congresso Nacional — que terão um prazo de quinze dias para enviar os dados. Depois disso, o MP tem um mês para dar um parecer sobre a ação, que só então terá o voto do ministro e irá para julgamento do Tribunal.

A ação fará barulho, mas dificilmente será acatada pelos ministros do STF. Pelo menos essa é a opinião de quatro juristas entrevistados pelo Correio para comentar a iniciativa do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. Um ministro do STF, um ex-presidente do STJ e dois advogados com atuação em tribunais superiores deram uma opinião sobre o caso.

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e advogado Eduardo Alckmin não concorda com a tese de Fonteles. Para o jurista, com a Constituição de 1988 previu o ingresso e a admissão dos servidores que já estavam no cargo há mais de cinco anos no serviço público, não há inconstitucionalidade na lei 8.143. ‘‘Se a Constituição já lhes dava o direito de pertencer ao serviço público, a lei apenas fez uma mera mudança de regime previdenciário’’, comentou o advogado. ‘‘Não sei se a ADI tem procedência’’, disse.

O advogado Luiz Carlos Alcoforado não contesta a procedência da ação, mas não acredita na sorte dela no Supremo. ‘‘É preciso julgar o caso não apenas com a literalidade da lei, como pretende o Ministério Público. O universo de pessoas envolvido na questão é importantíssimo. Seria uma dizimação, uma aniquilação da confiança no sistema previdenciário’’, disse o jurista. Um ministro do STF disse que a Constituição de 1988 ‘‘impunha o regime jurídico único’’ e a lei apenas obedeceu a Carta Magna. Um ex-ministro do STJ afirmou que a ação de Fonteles é uma loucura. ‘‘Não há atrito com a Constituição. O procurador-geral comete um erro bárbaro.’’

- Infelizmente, notamos que não existem regras confiáveis para nenhum cidadão  (Marcelo Oliveira, presidente da Anfip)

- O número - 560 mil - É o número de servidores que podem ser atingidos com a ação direta de inconstitucionalidade

 

A LETRA DA LEI - O que diz o artigo 243 da lei 8.112 de 1990 - ‘‘Ficam submetidos ao regime jurídico instituído por esta Lei, na qualidade de servidores públicos, os servidores dos Poderes da União, dos ex-Territórios, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas, regidos pela Lei 1.711, de 28 de outubro de 1952 — Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União, ou pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei 5.452, de 1º de maio de 1943, exceto os contratados por prazo determinado, cujos contratos não poderão ser prorrogados após o vencimento do prazo de prorrogação’’

 

O que significou na prática -  Antes do Regime Jurídico Único (RJU), cerca de 80% dos funcionários públicos eram contratados pela CLT. Com isso, eram filiados ao Regime Geral de Previdência Social (INSS) e tinham Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com a lei 8.112, todos esses servidores passaram a ser estatutários, deixaram de ter direito ao FGTS e de contribuir para o INSS. Em compensação, adquiriram estabilidade e direito a aposentadoria integral.

 

JORNAL DE BRASILIA – 25/08/2003

 

TETO VAI A R$ 2.400 EM 2004

 

Os trabalhadores do setor privado que sempre contribuíram para a Previdência pelo valor máximo, o teto, ainda vão ter de esperar vários anos para receber aposentadorias de R$ 2.400, o novo teto definido pela reforma em tramitação no Congresso. Cálculos da Secretaria de Previdência Social, órgão do Ministério da Previdência Social, mostram que os R$ 2.400 deverão ser pagos entre 2015 e 2020 – provavelmente neste último ano. Os cálculos da SPS foram feitos considerando que a reforma será aprovada e valerá a partir de janeiro de 2004; o cenário é de inflação zero; os R$ 2.400 continuarão sendo o teto dos benefícios; os trabalhadores sempre contribuíram pelo teto; e as aposentadorias serão concedidas em dezembro de cada ano. Em dezembro do próximo ano o valor máximo de uma aposentadoria já será de R$ 2.106,67, ou seja, 12,7% superior ao atual teto (R$ 1.869,34), mas estaria bem distante do novo teto previsto na reforma. No caso dessa aposentadoria, apenas 12 contribuições com base no teto de R$ 2.400 entrariam no cálculo (de janeiro a dezembro de 2004). A cada ano que passa o valor será maior. Isso ocorre porque, de ano em ano, 12 novas contribuições pelo teto de R$ 2.400 entrariam no cálculo (pela regra em vigor, entram no cálculo apenas 80% das maiores contribuições a partir de julho de 1994). Em dezembro de 2004, serão dez anos e meio, ou 126 contribuições. Como o cálculo abrange 80% das maiores contribuições, seriam levadas em conta 101 das 126 contribuições.

 

CÂMARA VOTA REFORMA SEM RESISTÊNCIA

 

Oposição cumpre acordo e deixa mudança na Previdência dos servidores passar sem apresentar mais destaques

 

A oposição, que à época das negociações sobre o redutor das pensões (de 50% para 30%), se comprometeu a aprovar rápido a reforma da Previdência quando ela chegasse ao segundo turno, deverá honrar o compromisso e jogar a toalha. Entre os parlamentares da base oposicionista, um atraso na votação do relatório, programada para o final da tarde de amanhã, está praticamente fora de questão. Só ocorrerá caso alguém resolva apresentar emendas de última hora ao texto – o que é improvável.

Com todos os pontos mais polêmicos da reforma da Previdência praticamente acertados, a preocupação dos oposicionistas tem agora apenas um nome: reforma tributária. O líder do PFL, José Carlos Aleluia, garante que continua valendo o compromisso de não apresentar emendas ao texto da reforma da Previdência que irá amanhã para o Plenário. "Não apresentaremos destaques, como combinado com o governo, mas apoiaremos eventuais destaques que surgirem", garante.

Ele acredita que a prioridade dos parlamentares é discutir as mudanças no sistema tributário. "A Previdência já foi exaustivamente discutida". A movimentação no Congresso esta semana fica por conta da votação dos destaques do relatório da reforma tributária na Comissão Especial, amanhã, e no Plenário, quinta-feira.

DISPUTA VAI PARA O SENADO

 

Com acordo e sem destaques da oposição, as coisas estão mais fáceis e não devem se estender mais Paulo Bernardo, deputado do PT paranaense e negociador do partido

 

De acordo com o deputado Paulo Bernardo (PT–PR), os governistas também estão concentrando as forças em torno da reforma tributária. E confiam no compromisso assumido pela oposição de não atrasar ainda mais a votação da reforma da Previdência. "Já que se comprometeram a não apresentar mais destaques, e vão honrar o compromisso amanhã, no Plenário, então é porque as coisas estão mais fáceis e não devem se estender mais". Grandes disputas a respeito da reforma da Previdência, ao que tudo indica, estão afastadas da Câmara. Mas podem voltar a ocorrer no Senado. Na última semana, senadores da base aliada do governo deixaram claro que pretendem debater e até mudar o texto aprovado pela Câmara, embora o próprio governo duvide disso. O comunicado ocorreu durante café da manhã na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com a presença do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini. Uma das propostas de mudança na reforma simpática aos olhos dos senadores é a fixação de um subteto salarial único para os servidores dos estados e municípios. Isso havia sido descartado na Câmara, durante a votação da reforma em primeiro turno. Os líderes do governo, no entanto, garantem ter como aprovar a emenda votada pelos deputados, evitando que o relatório volte à Câmara e cause um atraso na promulgação da reforma da Previdência