A resposta delirante de um despossuído de filosofia, de um miserável de cultura, de um vazio de saber ao bem fundamentado artigo de Ponciano

A resposta delirante de um despossuído de filosofia, de um miserável de cultura, de um vazio de saber ao bem fundamentado artigo de Ponciano

Por Job de Brito, técnico judiciário em Brasília (DF)

 

Este artigo é de inteira responsabilidade do autor, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria da Fenajufe

Muitos afirmam ser a beleza consequência da miopia; outros tantos, em posição contrária, que a beleza é fruto de visão aquilina, aguçada. Fazer o quê? Ninguém escolhe, conscientemente, sua maneira de ver o mundo. Impactada pelo mundo, carente de escolha, a pessoa, então, põe-se a descrever aquilo que – supõe – seja a realidade. Os que possuem um mau relacionamento com o que os cerca dizem que “só da miopia, visual ou intelectual,” promana uma boa ideia sobre o mundo; os que desfrutam do que lhes circunda propagam a convicção de que míopes são todos aqueles “carafeias, pás-viradas, que, aos montes, encontram-se por aí”.

Eu, “gato escaldado, medroso de água fria”, desinteressei-me dessa “bacia” filosófica. “Saber o que o mundo – e tudo o que nele há – é” foi a último plano. Defini, no arbítrio, ser essa uma atividade infantil, própria de adultos de baixo quociente de inteligência, embora com altíssimo quociente de vaidade.

De passagem, um esclarecimento: quociente é o resultado de um divisão, como todos sabem. O que se divide, cujo quociente seja a vaidade? Divide-se a “pouca consciência de si” pela “altíssima consciência de sua importância”. O resultado dessa operação matemática é a vaidade.

Retornando ao “fio da meada”. Dediquei-me à “caça do caçador”. Dei-me a liberdade de indagar a respeito de “o que é isso aí, essa ‘coisa’ que indaga?” e responder, por conta própria, à pergunta “pelo que indaga” formulada. Não me dispus a receber orientações estranhas à própria investigação nessa empreitada. A própria investigação se conduz, se critica, se corrige etc.

Bem se vê, pois, serem diferentes os caminhos percorridos por Ponciano e por “este um qualquer que redige este texto”. “Este um qualquer”, sem essência nenhuma, “esse vazio de ser, vazio de pensamento, vazio de filosofia” chegou a isso que o define – um nada, um zero à esquerda – depois de ter se dedicado a responder às perguntas que lhe cativaram, em essência: o que é isso que indaga? Tem status ontológico ou é puro delírio?

Ponciano, em seu texto, ao menos sugere ser a reflexão do texto “a causa da degeneração do movimento sindical...” uma falácia. Não há problema algum que seja isso, uma falácia. Esse texto não foi concebido e redigido na esfera filosófico-teórica; também não o foi para publicação nesse campo. Esse é um texto político para divulgação na esfera política. Assim, o que ele contém pode ser efetivamente uma falácia; o que ele, contudo, EFETIVAMENTE contém é provocação! O que se quer é atraí-lo, servidor sindicalizado, para essa esfera institucional e não condenar os que nela estão.

É de se trazer a esta reflexão, todavia, um pequeno trecho do artigo poncianista. Ei-lo:

“o artigo não prova nem uma coisa e nem outra. Primeiro porque o sindicalismo não tem origem no marxismo, é o marxismo que tem uma de suas origens no sindicalismo. São três as raízes do pensamento marxista: a) A filosofia clássica alemã; b) O socialismo francês; c) O sindicalismo inglês. Ora, o sindicalismo inglês estava longe de ser revolucionário.”

Para esclarecimentos, trazem-se também os fundamentos estruturantes do texto que redigi, quais sejam: afirma-se ali que o movimento sindical degenerou-se. Para o significado de degeneração, informou-se lá que se restringia a “perder suas qualidades originais, primitivas, primeiras”; também que, no significado de degeneração, incluía-se o de corromper-se, cujo sentido é este aqui: romper-se por estar submetido a pressões contraditórias, contrárias; romper-se por não ter direção única, fracionar sua energia de modo a que se veja impossibilitado de agir eficaz, eficiente e efetivamente.

Como causa da perda de suas qualidades originais, avocou-se a hipótese de que fosse o “dogmatismo marxista”. Aqui, supõe-se esteja evidente que se afirmou ser o sindicalismo anterior ao marxismo (o que está afirmado na alínea c da transcrição acima) como se supõe também evidente que o sindicalismo, por ser anterior ao marxismo, “estava longe de ser revolucionário”. Deve ser óbvio também que as instituições sindicais não possuem caráter revolucionário pelo simples fato de existirem vários sindicatos vinculados ao que se denomina “a classe capitalista”. Tomem-se, por exemplo, os diversos sindicatos das diversas indústrias deste país[1].

As qualidades originais do sindicalismo, não as extrai do campo histórico; extrai-as dos campos conceitual e jurídico. Nesses campos, registram-se as seguintes informações:

1.   “o proletariado percebe a necessidade de se associarem e, juntos, tentarem negociar as suas condições de trabalho. Com isso surgem os sindicatos, associações criadas pelos operários, buscando lhes equiparar de alguma maneira aos capitalistas no momento de negociação de salários e condições de trabalho, e impedir que o operário seja obrigado a aceitar o que lhe for imposto pelo empregador.”[2]

2.   Constituição Federal – Dos Direitos e Garantias Fundamentais – Dos Direitos Sociais

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;

De onde vem, então, “o caráter revolucionário” do movimento sindical? Como achegou-se-lhe o caráter de luta de classes? E como desapareceu dele o seu caráter de luta corporativa?

O resto, leitor, você deduz. Pois o que me apraz é “estar longe da verdade!”. O que me interessa é o campo político. E nele, dizendo-lhe mentiras, uma atrás da outra, provocá-lo a ir à cata do que essa tal de verdade é! Tenho a convicção de que, mesmo não encontrando essa tal verdade, você desenvolverá um processo que o levará à lucidez – estará ciente do que vem acontecendo à sua volta, sem que você se dê conta de nada!!!

Grande abraço, servidor! Estejamos juntos na luta sindical original: na luta corporativa, em defesa dos interesses da “corporação”!


[1] http://www.suapesquisa.com/o_que_e/sindicato.htm

[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sindicalismo