Servidores do MPU de São Paulo entram em greve contra o congelamento salarial

Servidores do MPU de São Paulo entram em greve contra o congelamento salarial

Na tarde desta quarta-feira (15), em dia de ato conjunto em frente ao TRF-3, os servidores do Ministério Público da União de São Paulo decidiram também entrar em greve contra o congelamento salarial.

A adesão dos servidores do MPU à greve, a maior do funcionalismo nos últimos 10 anos, foi celebrada na praça em frente ao TRF-3, na Av. Paulista, junto a outras categorias que estavam realizando o ato: Advocacia Geral da União, delegados da Polícia Federal, Peritos da Receita Federal e Judiciário Federal.

“O MPU está aderindo ao movimento de greve dos servidores públicos federais. Uma luta por dignidade profissional e pela recomposição da inflação”, afirmou Sérgio Taboada, do Ministério Público Federal.

Apesar de nem todas as categorias estarem em greve, a revolta dos servidores é grande e está crescendo. Na manifestação, que saiu em passeata pela avenida Paulista, os servidores manifestaram que pretendem responder à postura intransigente de Dilma Rousseff com muita união.

“Temos a necessidade de estarmos juntos, porque enfrentamos um inimigo poderoso, que nunca se mostrou tão intransigente quanto hoje”, disse Osvaldo Martins, servidor da Receita Federal, que está em operação padrão desde 18 de junho. Ele destacou que nesta quinta-feira (16) a categoria realizará um dia nacional de entrega de cargos, quando 80% dos servidores em cargos de chefias devem entregar seus cargos.

Delegado da Polícia Federal, Edson Garuti disse que o fato do governo tentar jogar a sociedade contra o serviço público é péssimo para o país: “Estamos pedindo a correção inflacionária... pedimos aquilo que é justo”, pontuou Garuti.

Luta pela democracia

Na manifestação estavam os servidores de órgãos que “mais incomodam a turma que fez o mensalão”, destacou Taboada. “Estamos lutando também por democracia, pelo direito de greve dos trabalhadores, esse direito que foi conquistado na luta contra a ditadura. Dilma trai os seus ideais ao reprimir uma greve legitima”, concluiu.

Na mesma linha, três servidores da AGU disseram que a onda de greves que toma o país é um movimento em defesa do Estado brasileiro e pelo fortalecimento de suas instituições. Eles criticaram a forma como a Advocacia Geral da União tem sido usada para reprimir os movimentos sociais e a luta dos trabalhadores.

O decreto nº 7777/2012 foi duramente criticado pelos colegas da AGU, também foi denunciado que há um projeto sendo gestado da Casa Civil que prevê a privatização do órgão.

Unidade na luta

Diretora licenciada da Fenajufe, Ana Luiza Figueiredo Gomes destacou que em seu primeiro mandato, Lula atacou os servidores com a Reforma da Previdência e com a política de negociar separadamente com as categorias. “Por isso, temos que garantir uma grande unidade”, disse. “Só vamos conquistar se estivermos unidos, e a tática de Dilma vai ser nos dividir. Não podemos cair nessa política”. Para ela, a principal conquista dos servidores será a data-base e fez um chamado: “Coloquemos o direito à revisão anual acima das demais reivindicações, ela é a garantia do nosso futuro”, afirmou.

Para Erlon Sampaio, diretor do Sintrajud, a unidade dos servidores é fundamental para enfrentar a intransigência do governo. Mas para ele, a luta dos servidores também vai fortalecer as instituições que mais combatem a corrupção. “Ninguém aqui depende de mensalão. Somos trabalhadores honrados que reivindicam apenas a revisão salarial”,disse.

Fonte: Sintrajud-SP