Sindjuf (SE) manifesta apoio à greve dos caminhoneiros

Sindjuf (SE)

A população brasileira acompanha, há oito dias, um movimento que vem estacionando o país. No dia 21 de maio, caminhoneiros de todo o Brasil iniciaram uma mobilização histórica, que há muito tempo não se via por aqui. Bloquearam rodovias e, pacificamente, protestam contra a alta dos preços dos combustíveis, notadamente, do diesel. De lá para cá, foram feitas algumas reuniões entre governo e representantes da categoria, mas, sem atender às reais demandas dos trabalhadores, apenas do empresariado, não houve acordo.

A paralisação nos transportes rodoviários impacta negativamente em praticamente todos os setores da sociedade. O desabastecimento nos postos, aos poucos, vai tirando de circulação item por item da economia. E é isso que assusta o governo. Os donos do poder veem que a força está verdadeiramente nas mãos dos trabalhadores. É disso que o Brasil precisa, de uma paralisação geral, pois sem nossa força de trabalho, a roda não gira.

Essa alta vem desde outubro de 2016, logo após a assunção de Michel Temer à Presidência da República, quando, segundo a Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), os altos preços viabilizaram a importação de derivados do petróleo por concorrentes.

Em nota, a Aepet diz que: “A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA, que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil. Ganharam os produtores norte-americanos, os traders multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação.

Portanto, quem acredita que o preço dos combustíveis vem aumentando constantemente para “cobrir o rombo” da Petrobras, precisa saber que a verdade é que estamos pagando muito caro por um produto importado, enquanto nossas refinarias, com ampla capacidade de produção, caem na ociosidade. Com o grande volume de importações, a Petrobras segue a política de preços do mercado externo. Preços completamente fora da realidade do povo brasileiro. Faz parte do desmonte da Petrobras e dos planos do governo de entregar nossos bens a estrangeiros.

A greve é protagonizada pelos caminhoneiros, mas expressa o sentimento geral da população. Os abusivos e frequentes aumentos nos preços dos combustíveis são apenas a ponta do iceberg, consequência de um governo nefasto e regido pela corrupção. Com combustível caro, todo tipo de transporte fica caro. E para tudo que fazemos e consumimos, é necessário transporte.

O Sindjuf/SE entende ser justa e legítima a causa dos caminhoneiros, que é também a causa de todos. Estamos ao lado de todos os trabalhadores que lutem por direitos e conquistas. Ao mesmo tempo, repudiamos veementemente a cobertura claramente parcial da grande imprensa, tentando a todo custo colocar a população contra os caminhoneiros. Enfatizar as consequências inconvenientes da paralisação não reduzirá a relevância do movimento paredista. Respaldada pelo governo Temer, trata-se de mais uma tentativa de criminalizar os movimentos dos trabalhadores e os movimentos sociais e de desmobilizá-los. Não adianta, pois, apesar dos efeitos gerados, a greve tem o apoio do povo e, inclusive, a adesão de outras categorias em alguns estados.