JORNAL CORREIO BRASILIENSE- 13/06/2002

 

 

Serviço Público - Reajuste para 306 Mil servidores


Câmara dos Deputados começa a votar na semana que vem 14 propostas do governo federal que aumentarão a remuneração dos funcionários. Sindicatos criticam os projetos e afirmam que verdadeiro objetivo do Ministério do Planejamento é demitir

 

Mariana Ramos - Da equipe do Correio

 

 

A Câmara dos Deputados começa a votar na semana que vem 13 projetos de lei e uma medida provisória (leia quadro) que mechem com o bolso de até 306 mil funcionários públicos em todo o país. Duzentos mil são do Poder Executivo, 100 mil do Judiciário e 6 mil do Ministério Público da União. É o pacote dos servidores, que será votado agora, porque a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi aprovada ontem pelo Senado Federal.

 

Sem essa votação, o andamento da maioria dos projetos continuaria paralisado.

 

Se o pacote for aprovado, o governo terá um custo extra de até R$ 3,27 bilhões por ano, segundo o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA). O governo federal enviou esses projetos ao Congresso, às vezes pressionado por greves, com três objetivos: corrigir diferenças salariais entre servidores ou reduzir a queda no poder aquisitivo ou reforçar a política de remuneração de acordo com o desempenho do funcionário. Por isso, as propostas reestruturam diversas carreiras por meio de mudanças no Plano de Cargos e Salários. O PCS estabelece remunerações para os servidores, conforme seus cargos e desempenho. O Ministério do Planejamento preferiu não fazer nenhum comentário sobre os projetos, alegando que eles estão na Câmara.

 

No Congresso, oposição e governo dizem que já fecharam acordo para que os projetos, mais conhecidos como ‘‘pacote dos servidores’’, sejam votados logo pelos parlamentares. ‘‘Primeiro, serão colocados em pauta os projetos que os servidores estiverem de acordo com o texto original enviado pelo executivo e aprovado pelas comis-sões’’, diz o deputado Arnaldo Madeira, líder do governo na Câmara. O deputado Agnelo Queiroz (PCdoB/DF) arrisca até o dia em que os projetos devem ser votados. ‘‘Estamos programando a apreciação para o dia 17.’’

 

Sindicatos reclamam  - Mas nem todas as categorias estão satisfeitas com os projetos. Os sindicatos criticam, principalmente, as nove propostas de criação de gratificação por desempenho e alegam que o governo está instituindo o bônus para depois enxugar o quadro de servidores. Luiz Bicalho, diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep-DF), afirma que isso será feito a partir do Projeto de Lei Complementar 248/98.

 

O artigo 11º desse projeto prevê que o servidor poderá ser demitido se receber nota menor que 50% em duas avaliações de desempenho anuais por dois anos consecutivos ou três alternadas em cinco anos. O projeto está na Câmara dos Deputados desde outubro de 1998 e já foi aprovado em primeiro turno pelos deputados e senadores. Agora, está na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) esperando aprovação das modificações feitas pelos parlamentares. Bicalho acredita que quando o projeto for aprovado, notas baixas serão dadas para demitir servidores. ‘‘O governo diz nos projetos de lei que ninguém será demitido, apenas terá lugar garantido em cursos de capacitação, mas não é verdade’’, contesta.

 

A presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), Érika Kokay, também é contra as gratificações. ‘‘Os critérios usados para avaliar os servidores são muito subjetivos’’, explica. ‘‘Depende do entrosamento da pessoa com o chefe, com os colegas e até com a diretoria da empresa.’’

 

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que tem 280 mil associados em todo o país, afirma que os projetos não estruturam as carreiras dos trabalhadores. ‘‘Eles apenas criam gratificações e aumentam os problemas dos servidores’’, afirma Gilberto Gomes, secretário-geral. O deputado Pedro Celso (PT-DF), que tem acompanhado as discussões do ‘‘pacote’’ diz que só serão aprovados aqueles que tiverem acordo entre os servidores e o governo, como o do Judiciário. ‘‘Não podemos ir contra a vontade dos servidores.’’

 

Os 18 mil servidores do Judiciário no Distrito Federal que interromperam greve de 29 dias serão beneficiados. Eles aceitaram que o aumento previsto pelo Plano de Cargos e Salários (PCS) da categoria fosse reduzido em 20% e pago em quatro parcelas para conseguirem aprovação do projeto na semana que vem, junto com o ‘‘pacote dos servidores’’. O coordenador do sindicato dos servidores Roberto Policarpo acredita que a estratégia foi a mais correta. ‘‘É melhor recebermos logo, mas pouco do que não recebermos nunca’’, diz

 

 

JORNAL CAMÂRA DOS DEPUTADOS – 13/06/2002

 

 

Com a promulgação da CPMF, pauta deve ser liberada

 

O Congresso Nacional promulgou há pouco as propostas de emenda à Constituição 37/02, que prorroga a cobrança da CPMF até 2004, e 38/02, que incorpora os policiais militares do extinto Território Federal de Rondônia aos quadros da União. A sessão solene foi presidida pelo senador Ramez Tebet, e contou com a presença do presidente da Câmara, deputado Aécio Neves. Ambos foram elogiados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso quanto ao empenho dos presidentes da Câmara e do Senado na aprovação da proposta, que entrará em vigor imediatamente já que a exigência da noventena foi retirada do texto aprovado.


Liberação da pauta


Aécio declarou que, com a promulgação da emenda da CPMF, a pauta da Câmara poderá ser liberada na próxima semana. Na terça-feira (18), o plenário deverá aprovar a MP do salário mínimo, que não pôde ir a voto até agora para não trancar a pauta do Senado e prejudicar a aprovação da CPMF em segundo turno pelo Senado.

 

O presidente da Câmara anunciou que a prioridade da Casa nas próximas semanas será a votação das propostas de segurança pública, principalmente as que mudam o Código de Processo Penal, tipificam o crime de sequestro-relâmpago e aumentam as penas para os crimes de corrupção e para o tráfico de armas. Na última semana de junho, ele pretende levar a plenário a proposta que acaba com a cumulatividade de impostos.


Aécio disse ainda que várias das matérias que tratam de planos de cargos e salários já possuem consenso e podem ser aprovadas até em votação simbólica. “O governo teve negociações intensas sobre o tema nos últimos meses”, explicou. - Por Malena Rehbein/AM

 

11/6/2002 19H04  - Aécio tenta liberar amanhã pauta de votação

 

O presidente Aécio Neves informou há pouco que vai tentar liberar a pauta da Câmara amanhã, para permitir a votação, já na semana que vem, do projeto de lei que acaba com a cumulatividade das contribuições sociais - Pis e Cofins. Na sequência, deverão ser votados os projetos relativos à segurança pública sobre que obtiverem acordo por parte dos líderes partidários.

 

Para compensar o atraso nas votações da Câmara, Aécio Neves prometeu um esforço concentrado nas duas últimas semanas de junho para cumprir a agenda prevista para o semestre.
Aécio anunciou ainda que possivelmente convocará sessão extraordinária para votar as propostas que tratam dos planos de carreira de servidores públicos.

 

Aécio pretende também fazer uma reunião de líderes, ainda sem data marcada, especificamente para discutir o processo de funcionamento da Casa durante o período da campanha eleitoral, no segundo semestre.

 

O presidente da Câmara explicou que a medida provisória do salário mínimo não foi votada até agora para não prejudicar a votação da CPMF no Senado. Se a Câmara tivesse aprovado a medida provisória, ela iria para ao Senado e lá trancaria a pauta, atrasando a votação da CPMF.

Por Malena Rehbein/LCP - (Reprodução autorizada mediante citação da Agência)



Walter Pinheiro pede urgência do governo para reajuste de funcionário

 

O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) fez um apelo ao governo federal para que acelere as negociações com os representantes dos servidores públicos federais que reivindicam reajuste salarial para várias categorias do Poder Judiciário, do Ministério Público e de alguns órgãos do Poder Executivo. Ele disse que o Partido dos Trabalhadores está acompanhando as negociações e que nesse momento há um impasse entre o governo e os representantes dessas categorias com relação ao prazo para pagamento do reajuste.

 

De acordo com o parlamentar, o percentual de reajuste que está sendo cogitado, de 25%, seria dividido em várias parcelas a serem pagas até o final de janeiro de 2005. O fato desse parcelamento ser tão longo está dificultando o fechamento desse acordo, ressaltou.

 

 

Carreira de Auditores será discutida em reunião na terça

 

Mais de 800 representantes de sete entidades sindicais ligadas aos auditores fiscais da Receita Federal e dos ministérios do Trabalho e da Previdência Social estiveram ontem na Câmara e no Senado para reivindicar a reestruturação de suas carreiras profissionais.

 

O relator da Medida Provisória 2.175/01, deputado Roberto Pessoa (PFL-CE), conversou com o ministrochefe da Casa Civil da Presidência da República, Pedro Parente, para tentar negociar a votação do planos de carreiras da categoria ainda neste mês. Uma nova reunião foi marcada para a próxima Terça feira, uma vez que o governo argumenta não haver previsão orçamentária para arcar com os reajustes salariais estimados em R$ 400 milhões ao ano para cerca de 300 mil servidores das áreas de fiscalização. O calendário eleitoral só permite a aprovação de planos de cargos e salários até 90 dias antes das eleições, prazo que se encerra no dia 6 de julho.

Apesar das dificuldades de negociação, o deputado Roberto Pessoa acredita que a matéria será votada a tempo.

 

Com esta pressão sobre o Congresso, legítima, democrática e cívica por parte das categorias envolvidas, e o próprio Parlamento sensibilizado, o meu sentimento é que nós iremos votar essa matéria na semana que vem. O projeto de conversão da medida provisória que reorganiza as carreiras e ainda institui a de médico perito do INSS está para ser votado em sessão conjunta do Congresso Nacional, a ser marcada, pois a MP é apreciada de acordo com as regras anteriores a Emenda Constitucional 32 que alterou a tramitação de medidas provisórias. - Deputado Roberto Pessoa

 

Deputados criticam paralisação das votações

 

O Líder do PT, deputado João Paulo (SP), divulgou nota oficial do partido, criticando a paralisação do Congresso há 33 dias. Tudo isso porque as divergências internas na base do governo atrasaram a aprovação da prorrogação da CPMF e agora o governo resolve tomar como refém a nação brasileira, paralisando o processo legislativo, subordinando o funcionamento de um dos Poderes da República aos interesses da campanha do candidato José Serra, assinalou o deputado.

 

Na nota, o PT critica a paralisação da pauta, afirmando que não há uma justificativa para o bloqueio da tramitação dos projetos que tratam do salário mínimo e dos planos de cargos e carreiras. “Não pode-mos ficar aguardando uma manobra destinada a disfarçar o voto daqueles que aceitam se submeter ao mísero valor pro PT divulga nota cobrando retomada dos trabalhos posto pelo Planalto, criticou o deputado.

 

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) informou que o partido promoveu inclusive uma manifestação de protesto no Salão Verde da Câmara. Ele cobrou urgência para a retomada das votações, afirmando que os trabalhadores e servidores públicos estão vivendo momentos de enorme incerteza com a inércia do Legislativo e com a instabilidade financeira. 

 

O deputado Avenzoar Arruda (PT-PB) criticou a paralisação das votações na Casa, em função de dificuldades do governo em negociar os planos de carreira dos servidores públicos de diversas categorias.

 

O que é mais grave nisso tudo é que, em alguns casos, a negociação já havia ocorrido no âmbito do próprio Executivo, lembrou.

 

Para o parlamentar petista, essa é uma situação de constrangimento. Estamos na Comissão do Tra-balho, Administração e Serviço Público com muitas dificuldades, porque o governo envia os projetos de lei e depois os altera, afirma. O deputado Dr. Hélio (PDT-SP) também apelou ao presidente Aécio Neves para que a Casa retome o processo de votação.

 

Temos assuntos de alta relevância. O Congresso Nacional deveria, por exemplo, votar e resgatar para os funcionários públicos federais seus programas de cargos e salários.

 

O deputado Gilmar Machado (PT-MG) lamentou que a Casa não delibere há 30 dias, não votando as propostas dos auditores da Receita, do Ministério da Previdência, do Trabalho e de várias outras categorias.

 

É muito triste que estejamos nessa condição enquanto vemos o dólar subindo, a instabilidade, a intranqüilidade e o grande endividamento provocados pela incompetência desse governo, enfatizou, afirmando que a Casa precisa votar as deliberações das comissões.

 

 

DIÁRIO ONLINE/ABC  - 12/06/2002

 

 

15H24  - Funcionários do Judiciário bloqueiam rua em SP


Os funcionários públicos do Judiciário realizam uma assembléia em frente à sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), na tarde desta quarta-feira. Cerca de 100 participam do ato e bloqueiam a rua Francisca Miquelina, na República, centro de São Paulo.

 

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), há um carro de som e uma Kombi atravessados na via, perto do número 123.

 

O desvio do trânsito ocorre pela Rua Maria Paula, Avenida Brigadeiro Luis Antônio e Rua Aguiar de Barros

 

COSMO ON LINE – CAMPINAS – 12/06/2002

 

21:04 Greve do TRT terá reunião na sexta


Os servidores da Justiça do Trabalho realizam nesta sexta-feira, às 13h, mais uma assembléia em frente a sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, no Centro de Campinas. O objetivo é definir o rumo da paralisação que já dura 37 dias em vários pontos do País. Os grevistas exigem que o governo federal oficialize em Brasília uma proposta sobre o Plano de Cargos e Salários da categoria e não corte as funções comissionadas que, em muitos casos, chegam a dobrar os salários dos trabalhadores. Apenas em Campinas, onde existem nove varas trabalhistas, quase dois mil processos estão paralisados desde o início do movimento. As audiências canceladas pelo mesmo motivo já chegam a 2,7 mil

 

 

JORNAL ESTADÃO - 12/06/2002

 

 

Servidor decide manter greve no Judiciário em SP

 

Os servidores do Judiciário da União em São Paulo aprovaram ontem, em assembléia, a continuidade da greve até sexta-feira. Mas há a expectativa de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminhe nos próximos dias à Câmara o substitutivo ao plano de cargos e salários da categoria, com a proposta do governo de parcelar os reajustes até 2005. Se isso ocorrer entre hoje e amanhã, é possível que a paralisação seja suspensa. Segundo o sindicato da categoria, 18 Estados ainda são atingidos pela greve

 

 

 

JORNAL DIÁRIO CATARINENSE- 12/06/2002

 

Paralisação do Judiciário pode terminar hoje

 

Patricia Rodrigues

 

A greve dos servidores do Judiciário Federal, que já dura 39 dias, pode estar no final. Hoje será concluída a redação final da proposta feita pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nelson Jobim. A reunião acontece em Brasília entre a Federação Nacional da categoria e o Ministério Público da União.

 

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário em Santa Catarina (Sintrajusc), Caio Teixeira, está confiante na aprovação da proposta. O documento prevê a implantação de alterações no Plano de Cargos e Salários dos servidores em dois anos e meio. O impacto total do plano resulta em um reajuste médio de 35%, e a primeira parcela já seria paga em junho (25%). As próximas estão previstas para junho do ano que vem (20%), janeiro de 2004 (30%) e janeiro de 2005 (25%). A proposta não altera o pagamento da data-base dos servidores.

 

Hoje os servidores se reúnem em assembléia na Capital para discutir os rumos da greve, que já é considerada a maior em nível nacional este ano, atingindo 19 estados. Ao todo são cerca de 60 mil servidores federais no Brasil e estima-se que 60% tenham aderido à greve. No Estado, 50% dos 3 mil funcionários da Justiça Federal entraram no movimento

 

 

 

JORNAL A TARDE/BA – 13/06/2002

 

 

Greve paralisação do Judiciário causa prejuízos

 

 Ivana Braga


Mesmo considerando justas as reivindicações dos funcionários do Poder Judiciário federal, em greve há 37 dias, advogados, juízes e trabalhadores começam a reclamar da paralisação, que vem trazendo sérios prejuízos aos profissionais que militam na Justiça do Trabalho, por exemplo, e trabalhadores demitidos que precisam ver resolvidas suas pendências. Desde o dia 6 de maio, quando foi deflagrada a greve, nenhuma nova ação trabalhista foi ajuizada no Tribunal Regional do Trabalho, 5ª Região (TRT).

 

O maior reflexo da greve no TRT baiano diz respeito à demanda reprimida de reclamações, já que nenhum processo tem andamento desde o início da greve. “A pauta está obstruída porque 99% dos processos estão sendo remarcados. Quando o funcionalismo retornar às atividades, o maior reflexo da greve será a sobrecarga de processos para os juízes”, avalia o juiz Rubem Nascimento, presidente da Associação de Magistrados do Trabalho (Amatra), 5ª Região. Segundo ele, cada vara recebe em média 20 processos por dia. A remarcação dos processos em tramitação e o ajuizamento de novas ações após o fim da greve vai estourar a agenda de cada juiz, prevê o presidente da Amatra, ressaltando que a entidade não deliberou sobre o apoio à greve, embora reconheça que a reivindicação dos servidores é justa. No entanto, lembra o juiz, a decisão de apreciar o projeto que institui o Plano de Cargos e Salários depende do Congresso Nacional.

 

Esse entendimento é contestado por Rogério Fagundes, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal (Sindjufe), para quem a votação do PCS está sendo emperrada por orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que recomendou ao presidente da Câmara federal, deputado Aécio Neves (PSDB), não colocar o projeto na ordem do dia. Diante do impasse, a greve dos servidores do Judiciário Federal entra no seu 37º dia sem perspectiva de ser resolvida. Essa é a maior paralisação da história do Judiciário Federal, conforme lembra Fagundes.


Dificuldades  - Para o advogado Paulo Roberto de Britto, que há 27 anos milita na Justiça Trabalhista, a greve tem trazido conseqüências desastrosas para a população e para os profissionais que atuam no setor trabalhista. “Está tudo parado. Nada tem andamento no TRT baiano. Muitos advogados que dependem unicamente de processos trabalhistas estão em situação difícil”, admite Britto, lembrando que todas as audiências estão suspensas e terão que ser remarcadas. “Isso vai tumultuar a agenda dos profissionais e poderá causar sérios prejuízos”, ressalta ele.

Britto se mostra apreensivo e preocupado e lembra que trabalhadores demitidos e com ação na Justiça, da qual depende para sua manutenção, são os mais prejudicados. A situação foi amenizada, conta ele, com a autorização para liberação de alvarás e créditos trabalhistas já depositados. “Em 27 anos de atuação na Justiça do Trabalho, nunca vi situação semelhante”, atesta Paulo Roberto de Britto, torcendo para que o impasse seja definido.

 

O presidente da Associação Bahiana dos Advogados Trabalhistas (Abat), Ângelo Freire, prevê que o embate entre governo e servidores não tem perspectiva de um resultado positivo para o funcionalismo. “Com a greve, quem sofre é o que mais precisa. Cerca de 60% das ações trabalhistas que tramitam no TRT são de pequenos valores, de trabalhadores que dependem do resultado”, estima ele. Freire informa que muitos advogados que vivem exclusivamente do escritório e dependem das ações trabalhistas já estão enfrentando dificuldades financeiras.

 

Falta de esforço  - Testemunha disso é o advogado João Dias, que, para escapar da crise financeira provocada pela greve dos servidores do Judiciário Federal, recorreu a outra habilidade. Além de advogado, é economista, administrador de empresas e músico, mas confessa ter dificuldades em conseguir um emprego fixo. Por isso, Dias passou a explorar a habilidade de tocar bandolim e, integrando uma banda, apresenta-se todas as sextas-feiras, à noite, no Shopping Piedade. “Nunca vivi situação semelhante nos meus dez anos de advocacia trabalhista”, relata ele, considerando essa greve um fato inédito na Justiça do Trabalho. “Todas as outras paralisações foram rápidas. Esta é a de maior duração na história do Judiciário trabalhista e começa a causar prejuízos à população em geral, não apenas aos advogados”.