Nascida em 1959, Gisely ainda tinha muita disposição, e só parou de trabalhar desde 2018 por motivo de saúde. Neste Dia das Mães, seus filhos não poderão mais abraçá-la nem manifestar gratidão pela mãe estupenda que ela era, da mesma forma que o Sindicato também perdeu uma aliada para as lutas da Categoria. O frio pela queda de temperatura não chega nem perto daquele que uma família inteira e uma multidão de amigos está sentindo na alma pela perda precoce de alguém tão especial. Diretores, ex- diretores, amigos e familiares deixaram registradas suas mensagens de despedida.

Doces lembranças

O presidente do SINDIJUFE-MT, Walderson de Oliveira, disse que tem muitas lembranças da amiga que partiu. "São todas doces lembranças", afirmou ele, acrescentando que, além de uma ótima profissional  Gisely era uma colega sempre muito agradável. "Ela também era uma guerreira, grande companheira de todas as lutas, todos os atos, todas as greves, e inclusive teve o ponto cortado uma vez, sob a alegação de que ela não estava na greve. Foi tirada até foto dela assinando a lista de presença. Então alegaram que ela não estava nem trabalhando e nem participando da Greve. Isso foi uma arbitrariedade da época, da autoridade no Tribunal. Outra coisa: além de estar sempre firme na luta em solo mato-grossense, por várias vezes eu tive a oportunidade de viajar com a colega, principalmente para Brasília, onde participamos de lutas no Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, Ministérios, etc. Portanto, guardo apenas ótimas recordações da Gisely e espero que ela esteja num lugar muito melhor do que o nosso, pois ela merece".

Presença nas lutas da Categoria

O ex-presidente do SINDIJUFE-MT Pedro Aparecido de Souza descreve a colega como uma lutadora de décadas. "Ela não foi uma lutadora de 2 ou 3 anos, foram muitos anos de luta pela Categoria. Ela sempre teve esse sentimento coletivo de luta, de partir para a briga. Era uma pessoa muito humilde, muito simples, uma pessoa de um grande coração, que deixa muita saudade. Ela, desde o início, foi, por diversas vezes, diretora do SINDIJUFE-MT, foi nossa representante de base e sempre esteve presente em todas as lutas do Sindicato da Categoria. Sempre esteve presente em Brasília, nos congressos da Fenajufe, em todas as lutas ela se fazia presente, dentro do Congresso, no STF, e sempre esteve disposta a lutar pelos outros e pela vida dos outros. Vai deixar um grande vazio e, ao mesmo tempo, um legado de lutas para toda a nossa Categoria", disse ele.

Companheirismo e amizade

O diretor do Sindicato José Roberto Magalhães, disse que se lembra da simplicidade e gentileza da colega. "Foi guerreira acima de tudo. Sentiremos falta dela como pessoa e sindicalista. Em suas atividades no Sindijufe, sempre se destacou pela humildade e firmeza, sem jamais esmorecer nos momentos difíceis que a vida sindical proporcionou; uma lutadora até o fim", concluiu.

A ex-diretora do SINDIJUFE-MT Andreia dos Santos Silva disse que também foi pega de surpresa com a morte de Gisely e fez questão de registrar uma mensagem. "Essa homenagem é merecida por todos esses anos de luta, companheirismo e amizade que ela sempre se dispôs, pois ela foi uma pessoa que sempre esteve presente e sempre se doou à Categoria, sempre se dedicou às causas do coletivo, sempre estava presente nas assembleias, arrastões, idas a Brasília que são momentos difíceis e cansativos, mas ela sempre esteve presente ao nosso lado, sempre nos dando força, porque o Sindicato não adianta ter um bom presidente se não tiver uma categoria forte, consciente e unida.  Não é fácil a nossa luta, quem está à frente do Sindicato, como diretor, chamando o pessoal para as assembleias e manifestações, sabe o quanto é bom quando tem uma pessoa sempre presente, com quem a gente pode contar para dividir a "carga',  e a Gisely sempre fez o seu papel. É uma pena que essa guerreira tenha nos deixado tão jovem e tão cedo, mas ela deixa muitas boas lembranças conosco. Ela já cumpriu o papel dela aqui e espero, tenho certeza que está sendo muito bem acolhida aos braços de Deus".

Outra ex-diretora do Sindicato, Júlia Viñe, também se manifestou. "Sempre gostei e admirei a Gisely. Mulher maravilhosa, compreensiva mas lutadora. Acho que a partida dela me fez ver que perdemos tempo com coisas insignificantes e deixamos de dar atenção às pessoas amigas e queridas que nos rodeiam", disse ela.

Para a Servidora Maria Felipa da Silva Paz, que trabalhava próximo de Gisely, a colega era alguém especial por várias razões. "Ela era uma colega dedicada no serviço, fazia tudo com muita dedicação. Colocava os filhos em primeiro lugar e fazia tudo por eles. Pelo Sindicato e pela Categoria, ela largava o serviço para batalhar pela justiça dos colegas".

Momento delicado no Tribunal

Numa das ocasiões trabalhando pela Categoria, Gisely teve o ponto cortado, com mais 6 colegas do TRT23. O caso aconteceu em 2014, quando o Tribunal anunciou que cortaria o ponto de quem entrasse em greve e cumpriu a palavra diante da greve deflagrada pela Categoria contra o congelamento salarial no Judiciário Federal. Porém, uma defesa histórica do advogado do SINDIJUFE-MT, Bruno Ricci Boaventura, na sessão do Pleno do TRT-MT,  devolveu o direito de greve aos servidores do TRT-MT que tiveram, arbitrariamente, seus salários cortados em até 31 dias de uma greve legal e não abusiva.

O corte de ponto de até 31 dias foi aplicado contra os servidores da própria Justiça do Trabalho, durante a greve no período de 18 de agosto a 12 de setembro de 2014, e o SINDIJUFE-MT entrou com uma liminar em Mandado de Segurança, mas Tribunal, num gesto de insensibilidade à causa de seus próprios Servidores, indeferiu o pedido do SINDIJUFE-MT e manteve o corte de ponto.

Felizmente, e com muita luta do SINDIJUFE-MT, o corte de ponto imposto pelo presidente do TRT23 à época, Edson Bueno,  foi desfeito, na manhã do dia 30/04/2015, pelo Pleno do Tribunal. Uma sustentação oral feita pelo advogado do Sindicato,  Bruno Ricci Boaventura, foi decisivo para a vitória, com a justificativa de voto favorável do desembargador Osmair Couto. Também votaram pela anulação do corte de ponto e a favor dos servidores os desembargadores Roberto Benatar e Juliano Girardello. A desembargadora Eliney Veloso e a juíza convocada Mara Oribe votaram parcialmente a favor. A desembargadora Eliney sustentou a tese de que teria que haver negociação.

O advogado Bruno Boaventura confirma tudo. "A Gisely consta como um das pessoas que conseguimos reverter o desconto no holerite em razão da participação da greve de 2014. Mas ganhamos a ação e depois foi feito um acordo com a Administração", relembrou.

Gisely e a família

Mas, afinal, quem era Gisely fora do mundo sindical e longe dos compromissos como trabalhadora? Quem nos conta isso é a filha dela, Luana Maria Pires.

"Mamãe foi uma excelente mãe, avó exemplar, filha maravilhosa... A história de vida de minha mãe é a seguinte. Vivíamos mamãe, minha vó Maria da Conceição Pires e nós, 4 filhos. Emilton, de 45 anos;  Rene, 44; Lancer Lopes, 38 e eu (Luana), 35 anos. Mamãe sempre foi carinhosa, atenciosa e rígida  com nossa educação,  com cada um de seus filhos,  dedicando seu tempo a cada um como podia, devido a sempre trabalhar para poder nos criar. Tudo que ela conquistou na vida foi sozinha, com seu próprio esforço. Em casa somos todos de bem e trabalhadores. Mamãe tinha o hábito de reunir a família nos fins de semana pra almoço, gostava muito de fazer feijoada e transcorrer as datas comemorativas ao longo do ano. Mamãe deixou seis netos,  que eram a alegria dela. Sempre atenciosa, também,  com genro e nora. Guerreira, passou por muita dificuldade na vida, mas ultrapassou todas. Desde que minha mãe adoeceu vi nela uma força maior do que ao longo da vida, sempre positiva, de que tudo estava certo e que venceria".

"Tudo o que foi dito e não dito, enfim, ainda não seria suficiente para agradecer a Gisely pela pessoa especial que ela foi, seja como mãe, servidora ou sindicalizada. Obrigado, Gisely".

Luiz Perlato/SINDIJUFE-MT

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