Adoção é um desafio mas tem as suas recompensas, diz Servidora aposentada do TRE-MT

"A adoção é um ato de amor, de entrega, de doação. Você tem que ter essa consciência e saber que é um grande desafio, mas eu gosto de desafios". Foi o que disse hoje a servidora aposentada do TRE-MT e fundadora do SINDIJUFE-MT, Marlene Savassa, por ocasião do Dia Nacional da Adoção. Ela tem duas filhas adotivas e revela que este foi um dos motivos que a levaram a se mudar para Mato Grosso do Sul desde que se aposentou, vivendo hoje numa pequena cidade próxima de Campo Grande. 

As adoções aconteceram em 2006. A mais nova, na época, tinha 10 meses, e a maior, 3 aninhos. "Tive muitos desafios, sobretudo porque me separei cerca de 3 anos depois. E de lá pra cá tem sido uma luta diária, um desafio a cada novo dia, porém a gente sempre vence. Antes da adoção eu tinha uma ideia que, com o passar dos anos e os acontecimentos, principalmente as sequelas da mais velha, que já tinha passado por muito sofrimento, e isso refletiu e reflete na vida dela até hoje. Então, é um grande desafio", explicou.

Marlene considera, entretanto, que a adoção vale muito a pena. "Eu faria tudo novamente com toda certeza. Fico imaginando o que seria da minha vida hoje se estivesse sozinha. O casamento não deu certo, e também apareceu essa pandemia. Mas graças a Deus eu tenho elas", explicou a aposentada, ressaltando que nem tudo na adoção são flores, da mesma forma como também acontece na maternidade biológica. "Conheço pessoas que têm filhos biológicos e enfrentam desafios às vezes até maiores que os meus. É desafiador, mas por outro lado tem as suas recompensas".

Segundo Marlene, a adoção é uma maternidade com algumas diferenças. "Não tive gestação, não tive parto, e algumas coisas, características e comportamentos a gente percebe que tem a ver com a genética. Nisso eu não consigo ajudar porque não tenho o conhecimento do que aconteceu, como foi gestação e como foi o parto delas. São coisas que fogem do meu conhecimento e isso às vezes estressa um pouco, mas eu faria tudo de novo, mesmo sendo um desafio e tanto".

A aposentada faz apenas uma observação. Esclarece que faria tudo de novo mas com outro olhar. "Acho que sofri muito por não ter o conhecimento que eu tenho hoje da adoção. Hoje eu já sei, por exemplo, que ao procurar um psicólogo você deve escolher um especialista em adoção. Porque é diferente. O enfoque que ele dará ao tratamento será diferente, de um profissional que tem especialização nesta área em comparação ao que não tem. Então eu teria este cuidado para não desgastar muito nem eu e nem elas, as crianças, por incompreensão da realidade".

Quando adotou as crianças, Marlene afirma que não quis fazer nenhuma restrição, se eram irmãs, se era bebê ou com mais idade, etc. "Porque eu penso que a adoção deve ser assim, e quanto a isso eu não mudei em nada a minha forma de pensar. Acho que a gente não pode colocar barreiras se decide adotar, senão não está se doando plenamente. Acho que a adoção tem que ser igual na maternidade biológica, em que você não escolhe nada, aceita o que Deus te mandou e pronto, você só sabe que ele vai ter algumas características tuas e do seu companheiro porque é natural, mas você não sabe se vai ser mais moreninho ou mais branquinho, se o cabelo vai ser crespo ou liso, essas coisas, a não ser que as características dos dois sejam muito fortes", concluiu.

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