População LGBTQI+: o respeito não pode escolher data

A luta constante dos LGBTIS+ não impedem que a cada 20 horas o país registre uma morte. O preconceito permeia a mais gritante forma de violência, que é a intolerância 

No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Antes vista como doença, a homossexualidade levou muitas pessoas ao abandono e até a morte, pelo simples fato de serem o que são.

A data é considerada o primeiro grande avanço da luta por igualdade e reconhecimento das pessoas LGBTI+ dentro da sociedade. Desde então, o dia 17 de maio se tornou símbolo da luta por direitos humanos e pela diversidade sexual. Esse dia também é marcado pelo brado contra a violência e o preconceito escancarado os quais convivem no dia a dia.

Trinta anos depois, os casos de violência e outras formas de violações de direitos da população LGBTQI+ são não só alarmantes como também estarrecedores, uma vez que em sua maioria tomam contornos de violência simbólica, pautada num ódio irracional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE – comprovam que a expectativa de vida das pessoas trans é de apenas 35 anos. No Brasil a cada 20 horas uma pessoa morre por crime de lgbtfobia.

A Lgbtfobia (discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, entre outros) é crime e deve ser tratada como tal. O meio social repudia todos aqueles que não se ajustam aos modelos tradicionais de mulheres e homens heterossexuais, alimentando o preconceito e consequentemente a violência. O modelo patriarcal da sociedade não respeita a forma como os outros vivem sua sexualidade e constroem suas identidades.

O Movimento LGBTI tem conquistas em seu histórico e é bom pontuar algumas. O direito ao nome social foi conquistado a duras penas. As cotas nas universidades tirou muitos da marginalidade e da prostituição. O direito à adoção, a inclusão nos planos de saúde do (a) companheiro (a), liberação do FGTS para aquisição de casa própria.

Mas ainda faltam políticas públicas de respeito, dignidade e cidadania. O último Congresso da Fenajufe - (10 Congrejufe) aprovou resolução de promoção à igualdade e respeito aos LGBTIs.
A discussão dentro dos sindicatos de base é necessária para buscar formas de combate ao pior dos sentimentos dentro e fora da categoria; o preconceito.

O lugar dos LGBTIS+ é o mesmo e não difere em nada da dita “heteronormatividade” da sociedade. É tempo de conscientização, combater a intolerância, debater a dignidade para aqueles e aquelas que escolheram assumir suas sexualidades, identidade de gênero porque para o “armário, ninguém volta mais”. O respeito à diversidade é fundamental e deve ser exercitado todo dia.

Em caso de agressão por motivação LGBTfóbica é importante fazer a denúncia de forma presencial na Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) de sua região no telefone 197 da polícia civil ou na delegacia eletrônica. No caso de violação de direitos humanos a denúncia pode ser feita no número 162.

 

Joana Darc Melo, da Fenajufe

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