25 de julho: Dia da Mulher Negra e Latino-americana; para refletir desigualdades raciais e de gênero

Celebrada desde 2014 no Brasil, a data visa trazer reflexão sobre as condições, luta e resistência da mulher negra

No dia 25 de julho, celebra-se o Dia da Mulher Negra Latino Americana. A data surgiu em 1992 na República Dominicana com o objetivo de dar visibilidade à luta das mulheres negras, contra a opressão e discriminação de gênero, exploração e racismo.

A data visa trazer reflexão sobre a condição da mulher negra, da necessidade de igualdade de direitos, de gênero e de oportunidades.E principalmente dar visibilidade para pautas como combate ao racismo, a discriminação e a violência racial.

No Brasil, a data foi instituída a partir de 2014 por meio da Lei nº 12.987/14 assinada pela então presidenta Dilma Rousseff. Em homenagem à luta e resistência do quilombo Quinterê, comandado por Tereza de Benguela a lei aqui, foi batizada com o seu nome.

Resistir, construir e avançar são verbos que as mulheres negras carregam dentro delas historicamente. A história da organização das mulheres negras em defesa de seus interesses começou ainda no século XIX.

De lá para cá muitas foram as lutas, alguns avanços, força e resistência para deixar o passado escravagista marcado por exploração, abusos e silenciamento. Deixar a invisibilidade e garantir o direito de fala é munição principal dessas mulheres de raça tão forte e ainda assim, pisoteadas pelo preconceito e descaso social.

A discriminação racial e de gênero se evidencia através de números e estatísticas que mostram a perversa realidade social brasileira. Mesmo pertencendo a maior parcela da população, as mulheres negras permanecem sendo as mais exploradas e negligenciadas socialmente. Dados comprovam que o segmento é o que mais sofre com as desigualdades.

No país, mais de 42% delas são chefes de família e recebem, em média, 58% da renda das mulheres brancas. Os dados foram extraídos do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

E não para por aí. As mulheres negras são as maiores vítimas de todas as formas de violência. 75% das mortes de mulheres registradas em 2020 são de negras. Seja por feminicídio, estupro ou homicídios. As informações são do Monitor da Violência e Secretarias de Segurança Pública dos Estados.

A mesma pesquisa revela que elas, as negras, tem mais dificuldade em formalizar denúncias nos casos de abusos sexuais e violência doméstica. Geralmente residem em áreas precárias e longe das redes de atendimento. O fato alerta para o caso de subnotificações, o que pode elevar dados tão alarmantes.

No contexto de pandemia, são as mais prejudicadas. Elas encabeçam lista de desemprego do sexo feminino no período pandêmico. Delas também, é a marca maior de pessoas que entraram na informalidade e as mais agredidas. O número estarrecedor de registros de feminicídio na pandemia aponta que a maioria das vítimas são mulheres negras.

Todos esses dados escancaram o quão distante estão as mulheres negras da igualdade. Os indicadores são de desigualdades de oportunidades, de direitos e de cidadania.

Dessa forma, não podemos falar em uma sociedade realmente democrática e de direitos quando uma parcela tão significativa da população não tem garantia sequer do básico como respeito e dignidade da pessoa humana.

Em tempos de intolerância e aumento das várias formas de discriminações, acentuadas no atual governo, é de extrema necessidade e importância contribuir para que tenhamos uma sociedade mais justa e igualitária.

Que essas mulheres tenham a liberdade de fala, da luta e da defesa de sua cor. Que nunca lhes sejam tiradas a força de lutar. E que o país, um dia possa avançar sem definição de raça ou de gênero. Por amor, por respeito, pela ancestralidade.

Origem: Em 1992, na cidade de Santo Domingo na República Dominicana no Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, criou-se a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, onde definiu-se o dia 25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. No Brasil, oficializou-se a data em 2014, quando a então presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.987 determinando o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Tereza de Benguela : foi mulher quilombola que se tornou líder, rainha e chefe de estado, após comandar o quilombo Quintere, localizado entre a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia., no século XVIII. Tereza criou um sistema de Parlamento onde comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo.

Por suas mãos o quilombo conquistou independência, desenvolveu a agricultura de algodão, produzindo tecidos para comercialização. O quilombo Quinterê foi destruído depois de 20 anos, seus habitantes mortos e Benguela presa e posteriormente morta pelo desgosto. Tereza de Benguela ficou reconhecida por sua visão vanguardista e estratégica.

Joana Darc Melo, da Fenajufe

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