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Recomposição salarial: em nota, Fonasefe reforça que só uma forte e poderosa greve fará governo negociar

Recomposição salarial: em nota, Fonasefe reforça que só uma forte e poderosa greve fará governo negociar

Nas duas oportunidades em que recebeu os servidores, governo deixou clara a indisposição em abrir mesa de negociação

O Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) afirmou, em nota divulgada na terça-feira (5), que o governo Bolsonaro não reajustará os salários do funcionalismo sem uma forte e poderosa Greve.

Os servidores protocolaram no Ministério da Economia reivindicação de 19,99% em janeiro e, neste período, o governo recebeu os dirigentes em duas oportunidades. Contudo, nas duas, deixou clara a indisposição em negociar.

No texto, o Fórum afirma que "em um total desrespeito aos SPFs, o governo faz declarações desencontradas, feitas por membros do primeiro escalão do governo, para a grande imprensa sobre nossos salários, como se não existissem sindicatos e mesmo uma proposta concreta de recomposição salarial já protocolada".

Com esse cenário posto, o Fonasefe convocou greve por indeterminado desde o dia 23 de março e lembra que é necessário reforçar essa mobilização. "Os SPFs que já se encontram em greve não podem e não devem ficar sozinhos nessa luta".

Algumas categorias do funcionalismo já estão em greve, como os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Banco Central e da Receita Federal. A expectativa é que haja adesão das demais.

Ainda no expediente, o Fonasefe destaca a unidade dos servidores em 2021 que barrou a votação da reforma administrativa (PEC 32/20) — uma sentença de morte ao serviço público — e reitera que essa unidade será estratégica: "Para sepultar de vez a PEC 32 e obrigar o governo Bolsonaro a atender às nossas reivindicações, porque a nossa greve por tempo indeterminado não é somente justa, é absolutamente necessária".

Na última semana, servidoras e servidores realizaram uma jornada de luta na capital federal com atos no Ministério da Educação, Ministério da Economia e Senado Federal, incluindo o Ocupa Brasília no dia 30 de março.

A Fenajufe, por meio de sua diretoria executiva, avaliou que a construção da greve unificada do funcionalismo é fundamental para possibilitar a aprovação de uma recomposição salarial emergencial ainda este ano.

Confira a íntegra da nota:

CHEGA DE DESRESPEITO! AGORA É GREVE!

Em 18/01/22, nós servidoras(es) Públicas(os) Federais (SPF), protocolamos no Ministério da Economia nossa reivindicação de 19,99% de recomposição salarial. Desde então, fizemos uma intensa campanha para que fosse aberta uma mesa de negociação entre nossos representantes e os representantes do governo Bolsonaro.

Neste período, o governo nos recebeu duas vezes, e nestas duas oportunidades deixou muito claro sua total indisposição em negociar conosco.

No primeiro encontro afirmaram que o Brasil não tinha dinheiro e que não podia reajustar os salários dos(as) SPF. Porém, com o nosso contraponto foi obrigado a recuar e categoricamente afirmar que, apesar da possibilidade de reajustar nossos salários, o governo não tem essa disposição.

Neste primeiro encontro, arrancamos do governo o compromisso de nos responder sobre o seu interesse ou não em abrir uma mesa de negociação, prática comum em qualquer ambiente que reúne de um lado o conjunto de trabalhadoras(es) e, do outro, os patrões.

Porém, na data marcada para resposta, o governo reafirmou sua indisposição de negociar com as(os) trabalhadoras(es), deixando claro que não convocou, nem convocará sindicatos para negociar.

Em um total desrespeito aos SPF, o governo faz declarações desencontradas, feitas por membros do primeiro escalão do governo, para a grande imprensa sobre nossos salários, como se não existissem sindicatos e mesmo uma proposta concreta de recomposição salarial já protocolada.

Essa é a marca do governo Bolsonaro, NÃO NEGOCIA E NÃO RESPEITA OS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS. Para responder a este descaso e desrespeito, não tivemos alternativa a não ser convocarmos GREVE POR TEMPO INDETERMINADO, desde o dia 23/03/22.

A GREVE já começou e precisamos com urgência incrementar esta luta. Nesse momento solicitamos aos SPF de todo Brasil que realizem assembleias e discutam, votem e deliberem sobre a ADESÃO À GREVE POR TEMPO INDETERMINADO DOS SPF.

Durante todo o período transcorrido na atual gestão federal, mês após mês, ano após ano, fomos totalmente ignorados. Nossas reivindicações nunca foram atendidas e assistimos com perplexidade o custo de vida aumentar vertiginosamente com gasolina saindo de R$ 2,60 para R$ 7,80, botijão de gás saindo de R$ 35,00, para R$ 120,00 e a carne de R$ 18,00, para R$ 50,00. Enquanto tudo isso ocorria, nossos salários permaneciam congelados.

 Diante de tanto descaso, desrespeito e, acima de tudo, diante da corrosão dos salários que são o nosso sustento, GREVE é a única forma de fazer com que este governo sente numa mesa de negociação conosco para, de fato, e negociar nestes três meses de mobilização em busca da nossa RECOMPOSIÇÃO SALARIAL.

Todo esse processo de enfrentamento já nos mostrou uma evidência, e nós aprendemos a lição: o governo Bolsonaro não reajustará nossos salários sem uma forte e poderosa GREVE.

Os SPF que já se encontram em GREVE não podem e não devem ficar sozinhos nessa luta! Essas reivindicações são de todos e todas e, certamente, não conseguiremos vencer se deixarmos sobre os ombros de poucos uma luta que é de todas e todos os SPF.

Foi através de muita UNIDADE nas lutas que conseguimos barrar a votação da PEC 32 em 2021, uma sentença de morte do Serviço Público. Não podemos baixar nossa guarda para reforma administrativa, ela não foi derrotada. Portanto, nossa UNIDADE SERÁ ESTRATÉGICA para conseguirmos sepultar de vez a PEC 32 e obrigar o governo Bolsonaro a atender às nossas reivindicações, porque a nossa greve por tempo indeterminado não é somente justa, é absolutamente necessária!

REAJUSTE, JÁ!

Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe)

 

Raphael de Araújo

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