As elites gananciosas do nosso país há muitos anos estão empenhadas em levar adiante um projeto de desmonte do serviço público, de retrocesso econômico e social e de aprofundamento da precarização das relações de trabalho também entre os servidores.
Esse projeto é mundial e vem sendo aplicado, por exemplo, nos Estados Unidos e na Argentina, com a demissão em massa de servidores públicos. A intenção é deixar o Estado sob gestão da iniciativa privada.
A “ponte para o futuro” pretendida por Temer quando substituiu a Dilma no governo vai muito além das reformas já concluídas. O projeto de entrega das nossas riquezas e de colonização inclui a entrega dos minerais críticos, da Petrobrás e da Caixa. E ainda está a granada da reforma administrativa para detonar no bolso dos servidores.
Vivemos num mundo disputado em guerras comerciais, econômicas e até bélicas. Defender a nossa soberania nesse contexto é um grande desafio, mas também é uma necessidade. O eventual aprofundamento da submissão do nosso país a um modelo meramente extrativista, além de representar um enorme retrocesso social, econômico e político, representa o fim de qualquer perspectiva de desenvolvimento tecnológico, industrial ou científico, e a desestruturação de um modelo de máquina pública profissionalizada que se desenvolveu com a urbanização do país.
O resultado das eleições deste ano poderá ter impacto concreto e profundo nas nossas vidas. Não se trata apenas de preferências ideológicas, mas do futuro de cada um de nós, e da possibilidade de construir vitórias ou sucumbir aos projetos dominantes.
É verdade que eleição por si só não vai resolver nossas vidas e nos garantir o atendimento automático das nossas demandas. Nada vai substituir nossa necessidade de lutar, construir greves e fortalecer nosso movimento. É verdade que o peso relativo das representações políticas do poder econômico dentro do governo e a maioria conservadora existente no Congresso e no Poder Judiciário dificultam a obtenção de conquistas que representem mudanças estruturais.
Sempre me alinhei àqueles que defendem a independência total do movimento sindical a governos, sem receios de ter que se enfrentar a eles, quaisquer que sejam, quando necessário. E essa independência continuará sendo algo fundamental para poder construir vitórias.
Mesmo com resultado eleitoral favorável, vamos precisar lutar por avanços, como a defesa da carreira e da data-base para nossa categoria, a reversão do processo de terceirização e asfixia do serviço público e o arcabouço fiscal. Para fazer o nosso país avançar devemos defender a limitação dos juros e a auditoria da dívida, reverter os ataques da Reforma Trabalhista, aprovar a redução da jornada com o fim da escala 6 x 1, investir em pesquisa e infraestrutura própria, fortalecer o serviço público e garantir um aumento significativo do poder aquisitivo dos trabalhadores.
Porém, é necessário refletir sobre qual é a realidade que iremos enfrentar se a opção eleitoral que representa o projeto do poder econômico e do imperialismo se consagrar como vitoriosa no dia 26 de outubro. Nessa hipótese, o retrocesso e a perda de direitos iriam se fortalecer publicamente como suposta expressão democrática da vontade popular.
Os ataques virão a todo vapor com respaldo, não só da classe dominante brasileira, mas também do império do norte que quer controlar nossas riquezas. Isso traria uma dificuldade quase intransponível não só para avançar, como também para evitar o projeto radical de retrocessos que eles querem para atacar nossa condição de vida. Um exemplo disso é que já podemos ver na Argentina, com entrega de tudo para a gestão privada, ataques a direitos trabalhistas, recessão, desemprego e miséria. E o principal alvo seremos nós, servidores públicos.
Além disso, temos que considerar o risco de restrição às liberdades democráticas e de repressão a qualquer iniciativa de luta e resistência. Qual o compromisso democrático que podemos esperar de um eventual governo alinhado aos bilionários do mundo que se identifica com a passada ditadura militar, intimamente vinculado aos setores mais mafiosos e corruptos do nosso país, às milícias cariocas, à tentativa de golpe recente e à ânsia dominadora do império do norte?
O resultado das eleições de outubro não tem um valor abstrato. Tem repercussão direta no futuro das nossas vidas, na democracia do país, nas perspectivas que possamos alimentar de desenvolvimento, na soberania, no intuito de impedir retrocessos e nas nossas lutas por carreira, derrubada do veto, data-base, distribuição melhor de recursos dentro do Judiciário, auxílio saúde, contratações, fim do arcabouço.
David Landau é coordenador da Fenajufe e servidor do TRT3 (MG).
Artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, as ideias ou opiniões da Fenajufe.
Visited 6 times, 6 visit(s) today
As elites gananciosas do nosso país há muitos anos estão empenhadas em levar adiante um projeto de desmonte do serviço público, de retrocesso econômico e social e de aprofundamento da precarização das relações de trabalho também entre os servidores.
Esse projeto é mundial e vem sendo aplicado, por exemplo, nos Estados Unidos e na Argentina, com a demissão em massa de servidores públicos. A intenção é deixar o Estado sob gestão da iniciativa privada.
A “ponte para o futuro” pretendida por Temer quando substituiu a Dilma no governo vai muito além das reformas já concluídas. O projeto de entrega das nossas riquezas e de colonização inclui a entrega dos minerais críticos, da Petrobrás e da Caixa. E ainda está a granada da reforma administrativa para detonar no bolso dos servidores.
Vivemos num mundo disputado em guerras comerciais, econômicas e até bélicas. Defender a nossa soberania nesse contexto é um grande desafio, mas também é uma necessidade. O eventual aprofundamento da submissão do nosso país a um modelo meramente extrativista, além de representar um enorme retrocesso social, econômico e político, representa o fim de qualquer perspectiva de desenvolvimento tecnológico, industrial ou científico, e a desestruturação de um modelo de máquina pública profissionalizada que se desenvolveu com a urbanização do país.
O resultado das eleições deste ano poderá ter impacto concreto e profundo nas nossas vidas. Não se trata apenas de preferências ideológicas, mas do futuro de cada um de nós, e da possibilidade de construir vitórias ou sucumbir aos projetos dominantes.
É verdade que eleição por si só não vai resolver nossas vidas e nos garantir o atendimento automático das nossas demandas. Nada vai substituir nossa necessidade de lutar, construir greves e fortalecer nosso movimento. É verdade que o peso relativo das representações políticas do poder econômico dentro do governo e a maioria conservadora existente no Congresso e no Poder Judiciário dificultam a obtenção de conquistas que representem mudanças estruturais.
Sempre me alinhei àqueles que defendem a independência total do movimento sindical a governos, sem receios de ter que se enfrentar a eles, quaisquer que sejam, quando necessário. E essa independência continuará sendo algo fundamental para poder construir vitórias.
Mesmo com resultado eleitoral favorável, vamos precisar lutar por avanços, como a defesa da carreira e da data-base para nossa categoria, a reversão do processo de terceirização e asfixia do serviço público e o arcabouço fiscal. Para fazer o nosso país avançar devemos defender a limitação dos juros e a auditoria da dívida, reverter os ataques da Reforma Trabalhista, aprovar a redução da jornada com o fim da escala 6 x 1, investir em pesquisa e infraestrutura própria, fortalecer o serviço público e garantir um aumento significativo do poder aquisitivo dos trabalhadores.
Porém, é necessário refletir sobre qual é a realidade que iremos enfrentar se a opção eleitoral que representa o projeto do poder econômico e do imperialismo se consagrar como vitoriosa no dia 26 de outubro. Nessa hipótese, o retrocesso e a perda de direitos iriam se fortalecer publicamente como suposta expressão democrática da vontade popular.
Os ataques virão a todo vapor com respaldo, não só da classe dominante brasileira, mas também do império do norte que quer controlar nossas riquezas. Isso traria uma dificuldade quase intransponível não só para avançar, como também para evitar o projeto radical de retrocessos que eles querem para atacar nossa condição de vida. Um exemplo disso é que já podemos ver na Argentina, com entrega de tudo para a gestão privada, ataques a direitos trabalhistas, recessão, desemprego e miséria. E o principal alvo seremos nós, servidores públicos.
Além disso, temos que considerar o risco de restrição às liberdades democráticas e de repressão a qualquer iniciativa de luta e resistência. Qual o compromisso democrático que podemos esperar de um eventual governo alinhado aos bilionários do mundo que se identifica com a passada ditadura militar, intimamente vinculado aos setores mais mafiosos e corruptos do nosso país, às milícias cariocas, à tentativa de golpe recente e à ânsia dominadora do império do norte?
O resultado das eleições de outubro não tem um valor abstrato. Tem repercussão direta no futuro das nossas vidas, na democracia do país, nas perspectivas que possamos alimentar de desenvolvimento, na soberania, no intuito de impedir retrocessos e nas nossas lutas por carreira, derrubada do veto, data-base, distribuição melhor de recursos dentro do Judiciário, auxílio saúde, contratações, fim do arcabouço.
David Landau é coordenador da Fenajufe e servidor do TRT3 (MG).
Artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, as ideias ou opiniões da Fenajufe.
Visited 6 times, 6 visit(s) today