Federação se solidariza e destaca importância de preservar sua memória e manter vivo o seu legado
A Fenajufe homenageia Maria Amélia de Almeida Teles, uma das mais importantes ativistas brasileiras na defesa dos direitos humanos, que faleceu no último dia 15, em São Paulo, aos 81 anos. Jornalista, escritora e feminista, Amelinha foi referência na resistência à ditadura militar. Torturada durante o regime, enfrentou um dos períodos mais sombrios da história do país e dedicou sua trajetória à luta por verdade e justiça, à defesa da democracia e à organização do movimento feminista.
Amelinha nasceu em Contagem (MG) em 1944 e iniciou a militância política ainda na juventude, atuando na resistência contra o regime militar. Em 1968, passou a integrar o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ao lado do qual atuou na clandestinidade durante a ditadura.
Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada à Operação Bandeirantes (Oban) e ao DOI-Codi, onde sofreu sessões de tortura física e violência sexual que, segundo seu depoimento, foram praticadas pessoalmente pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na ocasião, seus filhos, Edson e Janaína, então com 4 e 5 anos, também foram sequestrados e levados ao centro de repressão para presenciarem a tortura dos pais.
Depois de sofrer na pele a mais brutal das violências, Amelinha fez da dor resistência. Transformou a experiência da repressão em força para lutar pela democracia, pela memória dos mortos e desaparecidos políticos e pelos direitos das mulheres. Atuou como assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Na busca por justiça, a família Teles moveu, em 2005, uma ação civil declaratória contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, pedindo que ele fosse reconhecido como torturador. Em 2008, a Justiça reconheceu Ustra como torturador da ditadura. A decisão foi posteriormente confirmada em outras instâncias.
Em 1984, Amelinha fundou a União de Mulheres de São Paulo. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, participou do chamado “Lobby do Batom”, mobilização de mulheres que atuou pela inclusão de direitos das mulheres na Constituição Federal de 1988.
Em 1994, idealizou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), iniciativa de formação jurídica voltada a mulheres de comunidades, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre direitos e o acesso à Justiça. O projeto posteriormente se expandiu para diferentes municípios brasileiros.
Por sua trajetória de defesa da democracia e dos direitos humanos, Amelinha recebeu, em 2023, o título de doutora honoris causa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ao lado das entidades dos movimentos sindical e social, a Fenajufe se solidariza com os familiares, companheiras e companheiros de luta da Amelinha e destaca a importância de preservar sua memória e manter vivo o seu legado de luta pela democracia, pelos direitos humanos e pelos direitos das mulheres.
Amelinha presente!
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A Fenajufe homenageia Maria Amélia de Almeida Teles, uma das mais importantes ativistas brasileiras na defesa dos direitos humanos, que faleceu no último dia 15, em São Paulo, aos 81 anos. Jornalista, escritora e feminista, Amelinha foi referência na resistência à ditadura militar. Torturada durante o regime, enfrentou um dos períodos mais sombrios da história do país e dedicou sua trajetória à luta por verdade e justiça, à defesa da democracia e à organização do movimento feminista.
Amelinha nasceu em Contagem (MG) em 1944 e iniciou a militância política ainda na juventude, atuando na resistência contra o regime militar. Em 1968, passou a integrar o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ao lado do qual atuou na clandestinidade durante a ditadura.
Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada à Operação Bandeirantes (Oban) e ao DOI-Codi, onde sofreu sessões de tortura física e violência sexual que, segundo seu depoimento, foram praticadas pessoalmente pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na ocasião, seus filhos, Edson e Janaína, então com 4 e 5 anos, também foram sequestrados e levados ao centro de repressão para presenciarem a tortura dos pais.
Depois de sofrer na pele a mais brutal das violências, Amelinha fez da dor resistência. Transformou a experiência da repressão em força para lutar pela democracia, pela memória dos mortos e desaparecidos políticos e pelos direitos das mulheres. Atuou como assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Na busca por justiça, a família Teles moveu, em 2005, uma ação civil declaratória contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, pedindo que ele fosse reconhecido como torturador. Em 2008, a Justiça reconheceu Ustra como torturador da ditadura. A decisão foi posteriormente confirmada em outras instâncias.
Em 1984, Amelinha fundou a União de Mulheres de São Paulo. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, participou do chamado “Lobby do Batom”, mobilização de mulheres que atuou pela inclusão de direitos das mulheres na Constituição Federal de 1988.
Em 1994, idealizou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), iniciativa de formação jurídica voltada a mulheres de comunidades, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre direitos e o acesso à Justiça. O projeto posteriormente se expandiu para diferentes municípios brasileiros.
Por sua trajetória de defesa da democracia e dos direitos humanos, Amelinha recebeu, em 2023, o título de doutora honoris causa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ao lado das entidades dos movimentos sindical e social, a Fenajufe se solidariza com os familiares, companheiras e companheiros de luta da Amelinha e destaca a importância de preservar sua memória e manter vivo o seu legado de luta pela democracia, pelos direitos humanos e pelos direitos das mulheres.
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