LUTA COLETIVA

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Mulheres debatem racismo, LGBTfobia, capacitismo, etarismo e feminicídio no encontro nacional

Discussões encerraram o primeiro dia de evento

A programação do Encontro do Coletivo Nacional de Mulheres do PJU e MPU seguiu a todo vapor na tarde desse sábado (26), com debates importantes sobre pautas urgentes, como o combate ao racismo, LBTfobia, capacitismo, etarismo e feminicídio. Os temas foram divididos em dois painéis, conduzidos pelas coordenadoras Luciana Carneiro, Arlene Barcellos, Sandra Dias, Kelma Lara e Eliana Leocádia.

O painel 3 teve como tema Racismo, LBTfobia, capacitismo e etarismo: é possível, numa perspectiva feminista, construir políticas de prevenção e combate unitário a essas práticas dentro dos tribunais?, com palestras de Ana Naiara Malavolta Saupe, militante lésbica feminista antirracista do PJU e ex-diretora do Sintrajufe/RS e Isabella Leal, coordenadora do Sintrajud/SP e servidora do TRT2.

Isabella Leal destacou que a deficiência é a única das opressões que pode ser adquirida ao longo da vida e que essa pauta tem sido historicamente deixada de lado. Ela ressaltou que uma pessoa pode adquirir uma deficiência a qualquer momento, seja pela idade, com doenças como artrose, ou por meio de acidentes. Para ela, trata-se de uma pauta que exige atenção, sensibilidade e compromisso coletivo com o aprendizado, reforçando a necessidade de letramento adequado, inclusive na forma como as pessoas são nomeadas. Nesse contexto, ressaltou que pessoas com deficiência não devem ser reduzidas a siglas, mas reconhecidas como sujeitos de direitos.

Na sequência, Ana Naiara apresentou um panorama sobre o papel das mulheres dentro desse contexto, a partir de uma lógica feminista voltada à construção de políticas de prevenção e combate unitário às diversas formas de opressão. Outro ponto relevante abordado foi a diferenciação entre pluralidade e inclusão, destacando que a presença de diferentes sujeitos nos espaços não significa, necessariamente, igualdade de poder. Ela reforçou que a busca pela equidade interseccional deve ser incorporada como pauta permanente, tanto nos tribunais quanto nas entidades sindicais.

Encerrando o primeiro dia de encontro, o painel 4 abordou o tema Feminicídios: educação antimachista e combate à misoginia como formas estruturantes de prevenção. Participaram como palestrantes Denise Carneiro, coordenadora de Comunicação do Sindjufe/BA e coordenadora licenciada da Fenajufe; Carla Ayres, vereadora em Florianópolis/SC e Marcela Prest, feminista negra, professora, mestranda em Educação pela UFBA, pesquisadora das Infâncias Negras e integrante do Movimento Mulheres Negras Decidem (MND).

A vereadora Carla Ayres destacou que as mulheres são plurais em suas lutas e que, em um mesmo espaço, convivem diferentes realidades e identidades, como mulheres negras, LGBTs, mulheres mais maduras, jovens e mulheres com diferentes corpos e trajetórias. Ela apontou que a sociedade capitalista impõe padrões que buscam padronizar a existência das mulheres e que essa padronização está diretamente ligada à lógica de utilidade dos corpos para a produção de mercadorias e força de trabalho.

Nesse contexto, ressaltou que corpos envelhecidos, corpos com deficiência — visível ou não — e corpos negros são historicamente desvalorizados dentro dessa lógica produtiva. Também destacou que políticas públicas, como a Lei Maria da Penha e o Disque 180, foram fundamentais para dar visibilidade às violências contra as mulheres e possibilitar sua identificação e enfrentamento. Para ela, a educação é ferramenta central para transformar padrões de masculinidade e combater o machismo estrutural.

Marcela Prest abordou a relação entre feminicídio, educação antimachista e misoginia, destacando que o capitalismo brasileiro está profundamente ligado ao processo histórico de colonização. A partir dessa lógica histórica, explicou que o patriarcado se consolidou como um sistema que impõe às mulheres uma condição de inferioridade social. Ela destacou, ainda, que a sociedade capitalista foi estruturada a partir da exploração e da divisão sexual e racial do trabalho, o que contribuiu para a naturalização de profundas violências contra as mulheres.

Denise Carneiro abordou as diversas formas de violência que atingem as mulheres em diferentes espaços e reforçou que o enfrentamento ao feminicídio e à misoginia não deve se limitar à punição legal. Segundo ela, a punição isolada não é suficiente, pois não devolve as vidas já perdidas, sendo necessário investir em ações preventivas e na identificação precoce de situações de risco.

A dirigente também apresentou dados alarmantes sobre o crescimento dos feminicídios no Brasil. Nos últimos 10 anos, estima-se que uma mulher foi assassinada a cada seis horas. Ela alertou ainda para a importância da educação antimachista e para a responsabilidade coletiva — incluindo a omissão masculina — como fatores que contribuem para a manutenção desse cenário de violência.

Os debates evidenciaram que o enfrentamento ao racismo, à LBTfobia, ao capacitismo, ao etarismo e ao feminicídio exige compromisso político permanente e a construção de estratégias coletivas baseadas na perspectiva feminista e interseccional. As reflexões apresentadas reforçaram a necessidade de fortalecer políticas institucionais e sindicais que garantam proteção, equidade e respeito às mulheres em toda a sua diversidade.

No presencial, participam as coordenadoras Soraia Marca Garcia; Luciana Carneiro; Márcia Divina Bueno Rosa; Eliana Leocádia Borges; Arlene da Silva Barcellos; Sandra Cristina Dias; Juliana Santana Rick; Kelma Lara Costa; Denise Márcia Carneiro e, no virtual, Fernanda Lauria, Eusa Braga e Maria José Olegário.

Participam do encontro representantes de diversos sindicatos de base, entre eles Sindjufe/BA; Sisejufe/RJ; Sintrajud/SP; Sinjufego/GO; Sindjuf/PB; Sindissétima/CE; Sitraemg/MG; Sintrajufe/RS; Sitraam-AM/RR; Sindjufe/MS; Sindiquinze/SP; Sinpojufes/ES; Sintrajusc/SC; Sindijufe/MT; Sinjuspar/PR; Sintrajufe/MA; Sintrajufe/PI; Sindjus/AL; Sindjuf-PA/AP, além da Comissão Pró-Fenajufe/DF.

Confira imagens:

O evento ocorre em formato híbrido, com participação presencial na sede da Federação, em Brasília, e com transmissão das palestras no canal da Fenajufe no YouTube. Clique AQUI e assista!

A programação do Encontro do Coletivo Nacional de Mulheres do PJU e MPU seguiu a todo vapor na tarde desse sábado (26), com debates importantes sobre pautas urgentes, como o combate ao racismo, LBTfobia, capacitismo, etarismo e feminicídio. Os temas foram divididos em dois painéis, conduzidos pelas coordenadoras Luciana Carneiro, Arlene Barcellos, Sandra Dias, Kelma Lara e Eliana Leocádia.

O painel 3 teve como tema Racismo, LBTfobia, capacitismo e etarismo: é possível, numa perspectiva feminista, construir políticas de prevenção e combate unitário a essas práticas dentro dos tribunais?, com palestras de Ana Naiara Malavolta Saupe, militante lésbica feminista antirracista do PJU e ex-diretora do Sintrajufe/RS e Isabella Leal, coordenadora do Sintrajud/SP e servidora do TRT2.

Isabella Leal destacou que a deficiência é a única das opressões que pode ser adquirida ao longo da vida e que essa pauta tem sido historicamente deixada de lado. Ela ressaltou que uma pessoa pode adquirir uma deficiência a qualquer momento, seja pela idade, com doenças como artrose, ou por meio de acidentes. Para ela, trata-se de uma pauta que exige atenção, sensibilidade e compromisso coletivo com o aprendizado, reforçando a necessidade de letramento adequado, inclusive na forma como as pessoas são nomeadas. Nesse contexto, ressaltou que pessoas com deficiência não devem ser reduzidas a siglas, mas reconhecidas como sujeitos de direitos.

Na sequência, Ana Naiara apresentou um panorama sobre o papel das mulheres dentro desse contexto, a partir de uma lógica feminista voltada à construção de políticas de prevenção e combate unitário às diversas formas de opressão. Outro ponto relevante abordado foi a diferenciação entre pluralidade e inclusão, destacando que a presença de diferentes sujeitos nos espaços não significa, necessariamente, igualdade de poder. Ela reforçou que a busca pela equidade interseccional deve ser incorporada como pauta permanente, tanto nos tribunais quanto nas entidades sindicais.

Encerrando o primeiro dia de encontro, o painel 4 abordou o tema Feminicídios: educação antimachista e combate à misoginia como formas estruturantes de prevenção. Participaram como palestrantes Denise Carneiro, coordenadora de Comunicação do Sindjufe/BA e coordenadora licenciada da Fenajufe; Carla Ayres, vereadora em Florianópolis/SC e Marcela Prest, feminista negra, professora, mestranda em Educação pela UFBA, pesquisadora das Infâncias Negras e integrante do Movimento Mulheres Negras Decidem (MND).

A vereadora Carla Ayres destacou que as mulheres são plurais em suas lutas e que, em um mesmo espaço, convivem diferentes realidades e identidades, como mulheres negras, LGBTs, mulheres mais maduras, jovens e mulheres com diferentes corpos e trajetórias. Ela apontou que a sociedade capitalista impõe padrões que buscam padronizar a existência das mulheres e que essa padronização está diretamente ligada à lógica de utilidade dos corpos para a produção de mercadorias e força de trabalho.

Nesse contexto, ressaltou que corpos envelhecidos, corpos com deficiência — visível ou não — e corpos negros são historicamente desvalorizados dentro dessa lógica produtiva. Também destacou que políticas públicas, como a Lei Maria da Penha e o Disque 180, foram fundamentais para dar visibilidade às violências contra as mulheres e possibilitar sua identificação e enfrentamento. Para ela, a educação é ferramenta central para transformar padrões de masculinidade e combater o machismo estrutural.

Marcela Prest abordou a relação entre feminicídio, educação antimachista e misoginia, destacando que o capitalismo brasileiro está profundamente ligado ao processo histórico de colonização. A partir dessa lógica histórica, explicou que o patriarcado se consolidou como um sistema que impõe às mulheres uma condição de inferioridade social. Ela destacou, ainda, que a sociedade capitalista foi estruturada a partir da exploração e da divisão sexual e racial do trabalho, o que contribuiu para a naturalização de profundas violências contra as mulheres.

Denise Carneiro abordou as diversas formas de violência que atingem as mulheres em diferentes espaços e reforçou que o enfrentamento ao feminicídio e à misoginia não deve se limitar à punição legal. Segundo ela, a punição isolada não é suficiente, pois não devolve as vidas já perdidas, sendo necessário investir em ações preventivas e na identificação precoce de situações de risco.

A dirigente também apresentou dados alarmantes sobre o crescimento dos feminicídios no Brasil. Nos últimos 10 anos, estima-se que uma mulher foi assassinada a cada seis horas. Ela alertou ainda para a importância da educação antimachista e para a responsabilidade coletiva — incluindo a omissão masculina — como fatores que contribuem para a manutenção desse cenário de violência.

Os debates evidenciaram que o enfrentamento ao racismo, à LBTfobia, ao capacitismo, ao etarismo e ao feminicídio exige compromisso político permanente e a construção de estratégias coletivas baseadas na perspectiva feminista e interseccional. As reflexões apresentadas reforçaram a necessidade de fortalecer políticas institucionais e sindicais que garantam proteção, equidade e respeito às mulheres em toda a sua diversidade.

No presencial, participam as coordenadoras Soraia Marca Garcia; Luciana Carneiro; Márcia Divina Bueno Rosa; Eliana Leocádia Borges; Arlene da Silva Barcellos; Sandra Cristina Dias; Juliana Santana Rick; Kelma Lara Costa; Denise Márcia Carneiro e, no virtual, Fernanda Lauria, Eusa Braga e Maria José Olegário.

Participam do encontro representantes de diversos sindicatos de base, entre eles Sindjufe/BA; Sisejufe/RJ; Sintrajud/SP; Sinjufego/GO; Sindjuf/PB; Sindissétima/CE; Sitraemg/MG; Sintrajufe/RS; Sitraam-AM/RR; Sindjufe/MS; Sindiquinze/SP; Sinpojufes/ES; Sintrajusc/SC; Sindijufe/MT; Sinjuspar/PR; Sintrajufe/MA; Sintrajufe/PI; Sindjus/AL; Sindjuf-PA/AP, além da Comissão Pró-Fenajufe/DF.

Confira imagens:

O evento ocorre em formato híbrido, com participação presencial na sede da Federação, em Brasília, e com transmissão das palestras no canal da Fenajufe no YouTube. Clique AQUI e assista!