Debate reforça o combate às desigualdades e a necessidade de melhores condições de trabalho
Dando continuidade aos debates do Encontro do Coletivo Nacional de Mulheres do PJU e MPU, o segundo painel do dia aprofundou um dos temas mais urgentes das pautas femininas: a tripla jornada e os impactos das políticas de metas na saúde física e mental das mulheres. As coordenadoras Márcia Bueno e Sandra Dias conduziram o debate, que contou com palestras de Ana Carolina Fleury, Isis Garcia e Ariene Virgínia.
A servidora Ana Carolina apresentou dados que evidenciam a desigualdade estrutural na divisão do trabalho doméstico e de cuidados entre homens e mulheres. Segundo levantamento divulgado em novembro de 2025, as mulheres dedicam mais de 10 horas semanais a mais do que os homens em atividades de cuidado não remuneradas. Quando analisado o recorte racial, a desigualdade se intensifica: mulheres negras dedicam, em média, 22,4 horas a mais nessas tarefas. Ela destacou que essa sobrecarga invisível caracteriza a tripla jornada enfrentada pelas mulheres: trabalho profissional, trabalho doméstico e trabalho emocional — não reconhecido e completamente desconsiderado pelas políticas institucionais.
Na sequência, Isis Garcia trouxe uma análise sob a perspectiva racial, destacando que mulheres negras são as mais impactadas pelo modelo produtivista e pelas políticas de metas. Ela ressaltou que, especialmente após a pandemia e a ampliação do teletrabalho, houve intensificação do assédio e da pressão por produtividade. Para ela, as políticas de metas impostas adoecem e, principalmente, as mulheres negras, que já enfrentam múltiplas violências estruturais.
Ariene Virgínia apresentou uma reflexão crítica sobre o produtivismo no Judiciário e o impacto das metas institucionais sobre a vida das mulheres servidoras. Ela destacou que a lógica de metas transformou o trabalho em um sistema de autoexploração, comparando-o a um processo de gamificação da produtividade. Para ela, a casa virou uma extensão da unidade judiciária. O modelo foi pensado a partir da figura do “homem provedor”, que trabalha fora e descansa ao voltar para casa. Mas quando a mulher descansa? Exigir o mesmo nível de produtividade sem considerar a tripla jornada é perpetuar desigualdades e aprofundar o adoecimento das mulheres.
Os debates evidenciaram que a tripla jornada e as políticas de metas impactam diretamente a saúde física e mental das mulheres, reforçando a necessidade de que as administrações reconheçam essas desigualdades e avancem na construção de condições de trabalho justas e igualitárias para as servidoras.
Participação
No presencial, participam as coordenadoras Soraia Marca Garcia; Luciana Carneiro; Márcia Divina Bueno Rosa; Eliana Leocádia Borges; Arlene da Silva Barcellos; Sandra Cristina Dias; Juliana Santana Rick; Kelma Lara Costa; Denise Márcia Carneiro e, no virtual, Fernanda Lauria, Eusa Braga e Maria José Olegário.
Participam do encontro representantes de diversos sindicatos de base, entre eles Sindjufe/BA; Sisejufe/RJ; Sintrajud/SP; Sinjufego/GO; Sindjuf/PB; Sindissétima/CE; Sitraemg/MG; Sintrajufe/RS; Sitraam/AM/RR; Sindjufe/MS; Sindiquinze/SP; Sinpojufes/ES; Sintrajusc/SC; Sindijufe/MT; Sinjuspar/PR; Sintrajufe/MA; Sintrajufe/PI; Sindjus/AL; Sindjuf-PA/AP, além da Comissão Pró-Fenajufe/DF.
O evento ocorre em formato híbrido, com participação presencial na sede da Federação, em Brasília, e com transmissão das palestras no canal da Fenajufe no YouTube. Clique AQUI e assista!
A programação segue ao longo deste sábado e deste domingo:
Dando continuidade aos debates do Encontro do Coletivo Nacional de Mulheres do PJU e MPU, o segundo painel do dia aprofundou um dos temas mais urgentes das pautas femininas: a tripla jornada e os impactos das políticas de metas na saúde física e mental das mulheres. As coordenadoras Márcia Bueno e Sandra Dias conduziram o debate, que contou com palestras de Ana Carolina Fleury, Isis Garcia e Ariene Virgínia.
A servidora Ana Carolina apresentou dados que evidenciam a desigualdade estrutural na divisão do trabalho doméstico e de cuidados entre homens e mulheres. Segundo levantamento divulgado em novembro de 2025, as mulheres dedicam mais de 10 horas semanais a mais do que os homens em atividades de cuidado não remuneradas. Quando analisado o recorte racial, a desigualdade se intensifica: mulheres negras dedicam, em média, 22,4 horas a mais nessas tarefas. Ela destacou que essa sobrecarga invisível caracteriza a tripla jornada enfrentada pelas mulheres: trabalho profissional, trabalho doméstico e trabalho emocional — não reconhecido e completamente desconsiderado pelas políticas institucionais.
Na sequência, Isis Garcia trouxe uma análise sob a perspectiva racial, destacando que mulheres negras são as mais impactadas pelo modelo produtivista e pelas políticas de metas. Ela ressaltou que, especialmente após a pandemia e a ampliação do teletrabalho, houve intensificação do assédio e da pressão por produtividade. Para ela, as políticas de metas impostas adoecem e, principalmente, as mulheres negras, que já enfrentam múltiplas violências estruturais.
Ariene Virgínia apresentou uma reflexão crítica sobre o produtivismo no Judiciário e o impacto das metas institucionais sobre a vida das mulheres servidoras. Ela destacou que a lógica de metas transformou o trabalho em um sistema de autoexploração, comparando-o a um processo de gamificação da produtividade. Para ela, a casa virou uma extensão da unidade judiciária. O modelo foi pensado a partir da figura do “homem provedor”, que trabalha fora e descansa ao voltar para casa. Mas quando a mulher descansa? Exigir o mesmo nível de produtividade sem considerar a tripla jornada é perpetuar desigualdades e aprofundar o adoecimento das mulheres.
Os debates evidenciaram que a tripla jornada e as políticas de metas impactam diretamente a saúde física e mental das mulheres, reforçando a necessidade de que as administrações reconheçam essas desigualdades e avancem na construção de condições de trabalho justas e igualitárias para as servidoras.
Participação
No presencial, participam as coordenadoras Soraia Marca Garcia; Luciana Carneiro; Márcia Divina Bueno Rosa; Eliana Leocádia Borges; Arlene da Silva Barcellos; Sandra Cristina Dias; Juliana Santana Rick; Kelma Lara Costa; Denise Márcia Carneiro e, no virtual, Fernanda Lauria, Eusa Braga e Maria José Olegário.
Participam do encontro representantes de diversos sindicatos de base, entre eles Sindjufe/BA; Sisejufe/RJ; Sintrajud/SP; Sinjufego/GO; Sindjuf/PB; Sindissétima/CE; Sitraemg/MG; Sintrajufe/RS; Sitraam/AM/RR; Sindjufe/MS; Sindiquinze/SP; Sinpojufes/ES; Sintrajusc/SC; Sindijufe/MT; Sinjuspar/PR; Sintrajufe/MA; Sintrajufe/PI; Sindjus/AL; Sindjuf-PA/AP, além da Comissão Pró-Fenajufe/DF.
O evento ocorre em formato híbrido, com participação presencial na sede da Federação, em Brasília, e com transmissão das palestras no canal da Fenajufe no YouTube. Clique AQUI e assista!
A programação segue ao longo deste sábado e deste domingo: