A Fenajufe iniciou, na manhã deste sábado (25), o Encontro do Coletivo Nacional de Mulheres do PJU e MPU, reunindo servidoras de todas as regiões do país. O evento ocorre em formato híbrido, com participação presencial na sede da Federação, em Brasília, e com transmissão das palestras no canal da Fenajufe no YouTube.
A mesa de abertura foi composta pelas coordenadoras Soraia Marca Garcia, Luciana Carneiro, Márcia Bueno, Eliana Leocádia e Arlene Barcellos. Em suas saudações iniciais, as dirigentes destacaram que ocupar espaços historicamente dominados por homens é resultado de uma luta coletiva construída ao longo de gerações. Lotar um auditório com tantas representações femininas é a prova concreta da força das mulheres que vieram antes e das que seguem abrindo caminhos.
O início das atividades também foi marcado por força e emoção com a cantança feminista conduzida pela servidora Nara Santos, do Sindjufe/PB. Em um dos trechos entoados — “Eu sou, eu sou o que eu quiser” — ecoou a afirmação de autonomia e resistência das mulheres que ousam ocupar espaços antes negados.
PAINEL 1: Feminismo e o movimento sindical: da criação de coletivos à paridade de gênero e à participação efetiva na luta contra o machismo e o patriarcado
O primeiro painel do dia trouxe o tema Feminismo e o movimento sindical: da criação de coletivos à paridade de gênero e à participação efetiva na luta contra o machismo e o patriarcado, reunindo as servidoras Lucena Pacheco, Magda da Conceição e Luciana Carneiro como palestrantes. As coordenadoras Arlene Barcellos e Juliana Rick conduziram os debates.
Em sua exposição, Lucena Pacheco resgatou o processo histórico de exclusão das mulheres do sindicalismo, lembrando que os movimentos sindicais surgiram em um contexto majoritariamente masculino, no qual as mulheres eram invisibilizadas e suas pautas ignoradas. Ela destacou que a ocupação desses espaços pelas mulheres é fruto de enfrentamento político e social construído ao longo de séculos. A dirigente falou sobre sua trajetória no sindicalismo, desde o início, com todos os desafios, reafirmando a importância da formação política e feminista dentro das entidades sindicais para incluir e empoderar as mulheres. “Eu não preciso ser um homem para ocupar esse lugar. Não importa o que digam. O nosso papel é ocupar e transformar esses espaços”, afirmou.
Dando continuidade a exposição do primeiro painel do dia, Magda da Conceição reforçou que sindicatos que não incorporam as pautas femininas acabam reproduzindo injustiças estruturais. Para ela, o protagonismo das mulheres precisa ser permanente e efetivo — não simbólico. “O sindicato que não incorpora as pautas das mulheres se coloca em posição de injustiça. Precisamos ocupar todos os espaços, com voz, voto e protagonismo real”.
Já Luciana Carneiro destacou a importância da construção de um feminismo interseccional dentro do movimento sindical, reconhecendo que as desigualdades se expressam de formas diferentes entre as mulheres. Ela ressaltou que o feminismo não é sobre antagonismo, mas sobre igualdade e justiça social, lembrando que muitas conquistas históricas — como direitos ligados à maternidade e à igualdade de remuneração, embora este muito recente — são fruto direto da luta feminista e sindical. “A nossa luta é todo dia. Não podemos aceitar silenciamento, não podemos aceitar machismo. Onde houver injustiça, precisamos agir.”
Homenagem às ex e atuais coordenadoras da Fenajufe
Após o primeiro debate, a Fenajufe fez uma homenagem às mulheres que construíram a luta das servidoras e servidores do PJU e MPU ao longo de mais de três décadas. A coordenadora Arlene Barcellos fez a leitura de um texto preparado pela coordenadora Juliana Rick que retrata muito bem toda essa luta das mulheres para ocupar esses espaços de poder. Na Fenajufe, infelizmente o cenário não foi diferente. A paridade de gênero na direção executiva só foi aprovada no 11º Congrejufe, em 2022. Uma conquista histórica para toda a categoria do PJU e MPU, resultado da luta e resistência das mulheres da Federação.
Confira:
1992
Um começo.
Uma construção coletiva.Nas gestões que se seguiram, nem todas as vozes tinham o mesmo espaço.
Nem todos os caminhos estavam abertos.
Elas estavam lá.
Mesmo quando eram poucas.
Mesmo quando eram interrompidas.
Mesmo quando tentaram silenciá-las.Elas ficaram.
Resistiram.
Enfrentaram o machismo,
o preconceito,
o apagamento.E, ainda assim, seguiram.
Abrindo caminhos onde antes havia portas fechadas.
Sustentando suas falas.
Marcando posição.Transformando, por dentro, o movimento sindical.
Cada gesto importou.
Cada enfrentamento deixou marca.
Cada posicionamento foi uma peça, que ajudou a construir um caminho.E houve sempre quem sonhou além.
Lucena Pacheco. De uma ideia veio um espaço: o Encontro das Mulheres.Lugar de escuta,
de acolhimento,
de formulação política, de construção coletiva e de fortalecimento na luta.Nossas ex-coordenadoras foram semente que encontrou terreno fértil
Foram peças
de um desenho que continua em formação.Hoje, somos maioria.
14 mulheres entre 24 integrantes da coordenação.Nada é acaso.
Com coragem, com luta, com persistência.
O que antes era resistência
hoje é presença.
O que antes era exceção
hoje é força coletiva.Assim seguimos:
como um mosaico construído ao longo do tempo.Cada mulher que passou por aqui
deixou sua forma, sua cor, sua história.A todas as nossas ex-coordenadoras,
nossa memória.
nossa gratidão.
nossa continuidade.Se no nosso país e na nossa política nós dizemos:
“dias, mulheres virão”…
Na Fenajufe,
dias mulheres vieram.– Juliana Rick
Participação
No presencial, participam as coordenadoras Soraia Marca Garcia; Luciana Carneiro; Márcia Divina Bueno Rosa; Eliana Leocádia Borges; Arlene da Silva Barcellos; Sandra Cristina Dias; Juliana Santana Rick; Kelma Lara Costa; Denise Márcia Carneiro e, no virtual, Fernanda Lauria, Eusa Braga e Maria José Olegário.
Participam do encontro representantes de diversos sindicatos de base, entre eles Sindjufe/BA; Sisejufe/RJ; Sintrajud/SP; Sinjufego/GO; Sindjuf/PB; Sindissétima/CE; Sitraemg/MG; Sintrajufe/RS; Sitraam-AM/RR; Sindjufe/MS; Sindiquinze/SP; Sinpojufes/ES; Sintrajusc/SC; Sindijufe/MT; Sinjuspar/PR; Sintrajufe/MA; Sintrajufe/PI; Sindjus/AL; Sindjuf-PA/AP e a Comissão Pró-Fenajufe DF.
Confira imagens:
O encontro começou deixando uma mensagem clara: lugar de mulher é onde ela quiser — inclusive na linha de frente do movimento sindical, e a presença de cada uma neste evento é fundamental para garantir que elas ocupem esses espaços.
O evento segue com a seguinte programação:
Assista as palestras na integra, acesse o canal da Fenajufe AQUI.





