PEC32: servidora(e)s enfrentam fanatismo fiscal e falta de democracia na mídia

 Por Gerson Sousa*

As empresas que dominam a comunicação no País intensificaram a cruzada ideológica em defesa do fiscalismo do “teto de gastos”, diante da proposta oportunista e desestruturada de“Auxílio Brasil” de Bolsonaro.

Apesar da briga, governo e mídia renovam o casamento em favor da reforma administrativa, exigindo persistência do alerta e da luta dos servidores. O Brasil é um dos piores em pluralidade na comunicação. Considerando apenas o tema economia, a diversidade é ainda mais rarefeita.

A internet e as redes sociais permitem respiros na comunicação alternativa, mas não alteraram o quadro A concentração da mídia aqui é motivo de advertência da ONU quanto à saúde da democracia e do debate público.

O oligopólio midiático, porta-voz do setor financeiro, é um sustentáculo político-ideológico do neoliberalismo. É inequívoca a militância das grandes empresas de comunicação a favor das“reformas” que apavoram o povo desde 2016. Elas se inseriram no golpe que entronizou Temer e resultou na eleição de Bolsonaro para garantir a agenda econômica neoliberal.

Tudo que foge dessa agenda é tachado de “populismo” e demonizado junto à opinião pública.

A Globo, Folha, Estadão, p. ex., mesmo em conflito em assuntos como a tragédia (ou genocídio) da pandemia, preservam o governo e são parceiras dele naquilo que lhes importa(financeiramente, inclusive) a agenda econômica.

Defender Paulo Guedes no escândalo mundial “Pandora Papers” e no evidente fracasso da economia está na conta dessa parceria. De olho na eleição, Bolsonaro extinguiu o Bolsa Família e pretende furar o “teto de gastos” com assistência social.

Cobrado pelo mercado, Guedes explica que “todo mundo quer ganhar eleição, todo mundo quer gastar um pouco", e que vai financiar o “Auxílio Brasil” (que reduz a  população assistida) com a PEC 32( cortes sobre serviços e servidores) privatizações e calote dos precatórios

Novamente fica explícita a real finalidade da PEC32: não é modernizar ou melhorar nada. É medida fiscal, desmonte do setor público e entrega ao privado. A PEC é uma opção política na destinação do orçamento público ela reduz recursos da maioria (via serviços públicos) e transfere à apropriação privada (via exploração comercial de serviços e pagamento de juros).

Apesar da falta de espaço na mídia comercial e da distribuição escandalosa de emendas parlamentares (abalada por decisão do STF) a luta de servidores, sindicatos, centrais sindicais e da sociedade vem impedindo a votação da PEC na Câmara.

Essa luta vitoriosa, diante da movimentação casada de governo e mídia, está desafiada a persistir na resistência para enterrar de vez essa proposta regressiva.

Os servidores estão se batendo também contra o oligopólio midiático e sua ideologia. Fica clara a necessidade de o movimento sindical retomar a bandeira da democratização da comunicação e de apoiar a mídia alternativa.

É vital ter acesso a novas vozes no debate público, sobretudo acerca da agenda econômica e do estado e sobretudo vozes da classe trabalhadora.

Neste mês da consciência negra, a mobilização tem nova data-chave carregada de simbolismo e luta por igualdade e direitos:

Dia 20 de novembro! Está convocada nova jornada nacional unificada de luta  contra o racismo , em defesa da democracia, dos serviços públicos e dos direitos sociais, tudo ameaçado pelo governo Bolsonaro.

Dia 20 todos às ruas! Não à PEC 32!

Democratização da mídia já! #ForaBolsonaroRacista

*Gerson Sousa é Técnico Judiciário do TRE-PE, bacharel em Direito, pós-graduação em D. Constitucional e presidente do Sintrajuf-PE.

Artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, as ideias ou opiniões da Fenajufe.

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