Sintrajufe/RS participa de ato de repúdio ao fascismo e ao racismo, em frente à Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Na segunda-feira, 25, o Sintrajufe/RS participou de ato público contra o fascismo e o racismo, em frente à Câmara Municipal de Porto Alegre. A manifestação foi de repúdio aos fatos ocorridos no dia 20, quando cerca de 30 pessoas de grupos antivacina ingressaram nas galerias da Casa, portando cartaz com a imagem da suástica, e proferiram agressões e ofensas raciais contra as vereadoras contra as vereadoras Bruna Rodrigues (PCdoB), Daiana Santos (PCdoB) e Laura Sito (PT), chamando-as de “empregada” e “lixo”.

Durante o ato de segunda-feira, o portão de entrada da Câmara estava trancado. Bem diferente do que ocorreu no dia 20, quando os manifestantes antivacina tiveram livre acesso ao parlamento municipal. Naquela sessão, vereadores e vereadoras estavam votando o veto do prefeito Sebastião Melo à exigência de passaporte vacinal.

Não iremos silenciar

“Eles acreditam que podem realizar uma escalada de violência num espaço público de debate, que tem como alvo uma agenda de direitos, que atinge o povo pobre e o povo negro”, criticou Laura Sito durante o ato de repúdio. Ela afirmou: “não iremos silenciar, não aceitaremos que o espaço público vire uma arena sem limites, criminosa, um espaço violento que inclusive coloque em risco a nossa vida”.

Bruna Rodrigues destacou que, “quando uma mulher olha para três negras e diz que somos ‘lixo’ é porque ela nos desconsidera enquanto seres humanos, enquanto agentes protagonistas das nossas histórias, mas acima de tudo nos nega porque ela entende que nós somos algo que afronta o privilégio dela”.

Para o vereador Matheus Gomes (Psol), não pode haver dúvida de quem eram as pessoas que protagonizaram os atos violentos na Câmara. “Eram, sim, membros de organizações que misturam neonazistas, fascistas e negacionistas”, disse. O que eles fizeram, segundo ele, “não pode ficar impune, pois representa um primeiro ensaio da proposta de restrição das instituições às liberdades democráticas que ainda restam”.

Além das falas dos vereadores, houve também manifestações de partidos de esquerda, centrais sindicais e movimentos sociais. Vários participantes mostraram cartazes, com frases como “Racismo é crime”, “Nenhuma mulher negra é tua empregada” e “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”, entre outras.

Na avaliação do diretor do Sintrajufe/RS Paulo Guadagnin, os eventos ocorridos na Câmara “foram muitos preocupantes, lembrando um pouco a invasão do Capitólio nos EUA. Por isso, o ato em resposta foi muito importante”. Para o dirigente, a atividade demonstrou que “as organizações dos trabalhadores não estão dispostas a aceitar impunemente manifestações racistas e com caráter truculento com o objetivo de atacar a democracia e os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”.

“A polêmica ocorre porque o negacionismo virou a cara da direita no Brasil, para quem a vida das pessoas pouco importa”, afirma a diretora do Sintrajufe/RS Cristina Viana. Ela ressalta que o fato de serem as vereadoras mulheres negras as mais ofendidas e com frases racistas mostra que “essa direita fascista não reconhece o direito de elas estarem na Câmara como parlamentares, ignorando a representatividade dessas vereadoras. O problema de não aceitarem perder seu privilégio de mulheres brancas – sim, foi uma mulher branca quem mais proferiu frases racistas – deve ser tratado na polícia e com processo por crime de racismo”.

Vereadores cobram providências do presidente da Câmara

Durante o ato, vereadores e vereadoras das bancadas do PT, do PCdoB e do Psol, em conjunto com lideranças de movimentos sociais, reuniram-se com o presidente da Câmara, Márcio Bins Ely (PDT), para cobrar medidas de combate às ações de ódio, intolerância e discriminação racial contra as vereadoras da bancada negra. Também participaram a deputada federal Maria do Rosário (PT) e a deputada estadual Sofia Cavedon (PT). Exigiram a identificação das pessoas que protagonizaram as ofensas racistas, a consequente proibição de entrarem novamente no parlamento municipal e que a Casa se manifeste judicialmente sobre o caso já denunciado na Delegacia de Combate à Intolerância.

Líder da oposição ao prefeito Sebastião Melo (MDB) na Câmara, o vereador Pedro Ruas (Psol) afirmou que, em seus sete mandatos, depois da ditadura militar, nunca viu uma galeria com suástica. “Vi agora, é um choque ver isso, é inacreditável, e eles vieram jogar para cima de nós seus socos, pontapés e malditos cartazes”, criticou.

“A gente precisa dar uma resposta à altura para essa violência, porque é crime, racismo é crime, apologia ao fascismo e ao neonazismo é crime, então a gente precisa dar um posicionamento que seja exemplar. Toda essa mobilização é para que a gente volte a ser exemplo”, salientou a vereadora Daiana Santos (PCdoB).

 

Sintrajufe/RS, com informações da CUT/RS/ Foto: Josiel Rodrigues

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