Covid -19 no Judiciário: mais de 100 servidores já perderam a vida para a doença que já matou mais que o vírus da Aids

A segunda onda da doença se apresenta de forma mais letal e a luta por vacinação para todos é urgente

Em março de 2020, a pandemia do novo coronavírus obrigou o país e o mundo a se recolher e aprender a conviver com restrições sociais e adotar o isolamento como medida essencial de proteção à vida. Um ano depois, com milhares de mortes mundo a fora e o sistema de saúde colapsado no Brasil, podemos contabilizar nesta data (18) 284.775 mortes em todo território brasileiro.

A nefasta marca tem atingido a todos sem exceção. No Judiciário não tem sido diferente. Desde o início do período pandêmico servidoras e servidores do PJU e MPU engrossam a lista de óbitos que não para de crescer e já ultrapassou uma centena de mortes. Somente nesse ano de 2021, mais de 20 servidores já perderam a vida pela infecção de Covid-19.

O segmento dos Oficiais de Justiça continua sendo o mais atingido. O oficialato contabiliza 48 mortos entre o Judiciário federal e o estadual. Esse número representa quase 50% de todas as mortes por Covid- 19 ocorridas no PJU. De acordo com informações do Sintrajud, o estado de São Paulo detém um número significativo de mortes de Ojafs , comungando com registros da Federação Nacional das Associações dos Oficiais de Justiça Avaliadores Federais (Fenassojaf) que confirma os 48 óbitos.

Em outros estados como Rio de Janeiro , Pará e por último o Amazonas, os registros também são crescentes. Somente neste ano o Tribunal do Trabalho de Manaus contabilizou a morte de 12 servidores. Minas Gerais que já entrou  na faixa vermelha por contaminação de Covid-19 registrou na primeira semana de março , a morte de um servidor da Justiça Eleitoral de  Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

Outro segmento também muito afetado é o de Agentes de Polícia Judicial. Igualmente como os Oficiais de Justiça, por exercerem atividades de forma presencial, os registros de mortes são elevados. As informações referentes ao número de mortes são repassadas por sindicatos, associações, federações e entidades representativas do Judiciário. Tribunais Superiores e a maioria dos regionais não divulgam, isso representa subnotificação, o que pode aumentar esse  lamentável quantitativo.

O Brasil acompanhou com horror a crise sanitária acentuada no estado do Amazonas, Pará, e Ceará seguido mais recentemente por Minas Gerais, São Paulo,  Rio de Janeiro,Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e região nordeste. A cada dia aumenta a incidência de novos casos e mortes em todos os estados.

A Federação se solidariza com as mais de  285 mil famílias que perderam entes queridos e reconhece que o Brasil vive a pior crise sanitária proporcionada pelas políticas genocidas de Jair Bolsonaro. Não cabe aqui pontuar as consequências drásticas trazidas pelo período pandêmico que são muitas. Nesse momento, a prioridade é a defesa da vida e exigir desse governo imunização de forma efetiva, ágil e combativa, por isso a Federação convoca a todos e todas para o Dia Nacional de Luta, Mobilização e Greves no dia 24 de março por Vacinação para todos e contra a reforma administrativa. 

Importante relembrar que as medidas restritivas devem continuar sendo obedecidas. Distanciamento  social, uso obrigatório de máscaras, higienização  no ambiente domiciliar e de trabalho devem ser rigorosos . O novo coronavírus tem se mostrado mais letal que o vírus da Aids. A doença que já foi chamada de “ gripezinha” pelo presidente da República,matou mais pessoas em um ano de pandemia do que o  vírus HIV desde 1996, conforme dados divulgados no Uol.

 

Joana Darc Melo, da Fenajufe

Foto: Ricardo Moraes(Reuters - 08/08/2020)

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